Um blogue sobre comunicação inteligente

25
Jan 12

 

Ainda a respeito das desgraçadas declarações de Cavaco Silva sobre as suas reformas, Ricardo Costa assumido céptico das novas plataformas de comunicação, ontem na SIC Notícias atribuía a profusão de vitupérios publicados nas redes ao lado perverso da utilização do Facebook. Compreende-se e respeita-se o seu conservadorismo, mas o director do semanário Expresso incorre no erro vulgar de confundir a mensagem com o mensageiro, o conteúdo com a ferramenta que afinal não é um fim em si mesma. O problema do presidente ou do seu gabinete, nunca foi, antes pelo contrário, o da utilização da popular rede social como veículo de proximidade com os cidadãos, mas o conteúdo da sua intervenção por sinal feita e em directo para as camaras e microfones dos media tradicionais. Julgo até que Belém, definitivamente beneficia do fenómeno Facebook que permite a ilusão de proximidade a mais de dois milhões dos seus utilizadores activos ao desabafarem, manifestarem as suas razões e emoções ao mais alto magistrado da nação na respectiva página pessoal, esvaziando assim “a rua”, essa sim um palco tradicionalmente determinante na estabilidade dos regimes. De resto o problema foi a extraordinária aselhice com que Cavaco comprou uma ruidosa e evitável borrasca… virtual.

publicado por João Távora às 10:59


(...) Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado. 

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. (...) Ler mais»»»»

 

In Silêncio e palavra: caminho de evangelização, Papa Bento XVI a propósito do Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012.

publicado por João Távora às 09:14

24
Jan 12

Com o hype do social media, vários nomes emergiram como plataformas que permitem que conteúdos pessoais sejam guardados e partilhados online (com critério e perfil de acesso), sejam eles textos, imagens, vídeos, notícias e/ou ficheiros.

 

Desde o início da boom da Internet, e para além de sites institucionais de entidades ou empresas, bem como das publicações oficiais de jornais e revistas, depressa proliferaram, numa primeira fase, os fóruns de discussão, numa segunda fase, os blogues e, mais recentemente, as plataformas de social media (em boa verdade, os fóruns, os blogues e até as wikis se enquadram na definição de social media), como os conhecidos Twitter, Facebook ou Google+, mas também o LinkedIn, Flickr, StumbleUpon, Picasa, Blogger, Hulu, Plaxo, Hi5, Wordpress, Quora, Tumblr, Digg, Orkut e até a Wikipedia ou Wikileaks.

 

Mas, nesta fase da Web 2.0, consideram-se social media as plataformas que permitem a transformação de comunicação em diálogo interactivo, num contexto de Internet, baseado em conteúdos gerados por utilizadores, sejam estes pessoas ou entidades.

 

Assim sendo, quantas plataformas de social media há?

 

Conversion Prism
Existem mais de 250 plataformas de social media.
Alfabeticamente, e deixando o Twitter, Facebook e Google+ de fora, convido-vos a "darmos uma vista de olhos" nos 12 que considero serem os mais relevantes:
  • Digg / Dellicious - duas plataformas distintas que servem basicamente para o mesmo: guardar bookmarks (ligações preferidas) para referência futura; todas as vezes que não temos tempo para ler algo que é interessante e queremos mesmo ler depois, um click basta para memorizar a página;
  • Flickr - orientada para a partilha de fotografias/imagens, é também, pela sua vocação, um local onde se pode construir um portfolio que pode ser usado em vertentes profissionais ou exclusivamente pessoais;
  • Foursquare - para além de servir para indicar onde estamos presentemente, serve como guia turístico, já que se podem fazer recomendações e avisos sobre qualquer tipo de estabelecimento comercial ou mero local;
  • iTunes - na verdade, é muito mais do que o site de venda de conteúdos multimédia da Apple; é a extensão online para qualquer utilizador que tenha um iPod, iMac, iBook, iPhone ou iPad; os conteúdos podem ser adquiridos, mas também podem ser disponibilizados pelo próprio e todos podem fazer broadcast, aliás podcast, dos "seus" conteúdos;
  • LinkedIn - existe desde 2003 esta plataforma que permite a presença online de particulares e empresas/entidades num contexto profissional, onde coexistem ofertas de emprego com fóruns multi-temáticos, onde se pode desenhar e apresentar extensivamente um currículo e ter um perfil em uma ou mais Línguas;
  • MySpace - o grande responsável por vivermos o boom de social media e networking actual serve "apenas" para a promoção de artistas e da sua música; já foi re-inventado várias vezes (recentemente até mudou de logótipo) e a sua ligação ao Facebook tem funcionalidades interessantes, como sejam a partilha da playlist de uma plataforma para a outra;
  • Picasa - semelhante ao Flickr, permite o arquivo e gestão de fotos/imagens online, tendo as vantagens de pertencer à Google (interacção facilitada) e de ter utilitários que permitem a edição dos conteúdos (como se de um programa de tratamento de imagem se tratasse);
  • Plaxo - tem uma base-de-dados de mais de 40,000,000 de cartões de visita e serve para isso mesmo, para guardar informação básica sobre contactos pessoais;
  • Quora - plataforma onde se expõem problemas e se apresentam soluções detalhadas para as mesmas, como sendo um gigantesco centro de conhecimento online no formato "pergunta / resposta";
  • Wikipedia - o conceito de que qualquer pessoa pode partilhar e adicionar conhecimento vem da ideia do serviço colaborativo prestado pelas carrinhas "Wiki-Wiki" do aeroporto de Honolulu; durante algum tempo pairou a dúvida sobre se a qualidade dos conteúdos seria aceitável, mas a história deu razão ao fundador;
  • YouTube - não precisa de apresentação, certo?
Mas ainda poderíamos falar do Vimeo (vídeo), Tweetdeck, FriendFeed, HootSuite (aglutinadores de social content), Reddit, StumbleUpon (destaque e partilha de conteúdos), Groupon (compras), Classmates (colegas de escola), Wordpress, Drupal, XAMPP, Joomla (construção de sites), etc., etc., bem como áreas de recomendação de vários sites (nomeadamente o da Amazon, que foi fulcral no seu crescimento) que acabam por ser decisivos para tomadas de decisão de compra ao mesmo tempo que valorizam e credibilizam a opinião da comunidade.
Fica claro que o universo de social media é muito mais extenso do que se poderia pensar... e, tal como o "nosso" universo, também se encontra em (grande) expansão.
publicado por Hugo Salvado às 23:30

17
Jan 12

Decorre, nos tribunais americanos, um gigantesco processo que se intitula de "S.O.P.A. - Stop Online Piracy Act", ou seja um "acto para parar a pirataria online".

Dada a sua dimensão, alcance e objectivos, faz sentido a analogia a um iceberg.

Acima da tona da água, é visível uma acção para proteger os artistas e seus conteúdos, bem como a tentativa de erradicar todos os comportamentos e acções que sejam passíveis de violar as leis de direitos de autores.

Mas, como se de um iceberg se tratasse, a esmagadora maioria do processo não está à tona, mas submersa em interesses e motivações que, em várias vertentes, pouco parecem ter a ver com o que deveria ser uma legislação deste tipo.

As primeiras questões postas pelo utilizador da Internet seriam:
"Mas vai mudar alguma coisa? O que é que isso me afecta?"

A verdade é que, caso o "SOPA" passe (seja aprovado), todos os conteúdos que são colocados online terão um novo enquadramento de direitos de autor, dado que a entidade, ou melhor, o site que os publica fica imediatamente sujeito a uma catalogação e classificação que o pode, neste enquadramento, colocar numa lista negra.

Esta lista negra conterá, com toda a certeza, os sites de partilha de ficheiros, os sites de apoio a sistemas de peer-to-peer (ou P2P, plataformas sucessoras do Napster, como o µTorrent) e, adicionalmente, todos os que contenham conteúdos sujeitos a copyright em que as questões de licenciamento não estejam absolutamente regularizadas ou claras.

Um blogue ou um site que tenha, por exemplo, uma foto em que apareça algum conteúdo sujeito a copyright é passível de ser incluído nesta lista negra (para todos os que publicam fotos no "seu" Facebook ou que, de uma forma amadora, escrevem artigos em blogues com recurso a fotos disponibilizadas online, esta lei terá um impacto real). 

 

Mais do que isso, os mecanismos de busca e todos os tipos de sites noticiosos ou de conteúdo oficial ficam proibidos de terem links apontados para sites e endereços IP que estejam na lista.

A expressão livre fica, até na Internet, sujeita à censura.
Para quem, como nós, está fora dos EUA, a frase torna-se ainda mais pesada, porque a sujeição é à lei e à censura americana.

Por trás deste "SOPA/PIPA" (onde "P.I.P.A. - Protect IP Act" se refere a uma proposta de lei complementar dentro do mesmo âmbito) estão a MPAA (Motion Picture Association of America), a RIAA (Recording Industry Association of America), e a Câmara de Comércio dos EUA (U.S. Chamber of Commerce)... ou seja, a indústria cinematográfica, a indústria fonográfica e a representação do comércio no Governo americano.

Do outro lado está o universal grito de e pela liberdade, escrito e vociferado bem alto por milhões de pessoas (anónimos e famosos) e também por entidades e empresas como o Google, Wikipedia, Facebook, Twitter, Tumblr ou a Reddit.

Vários sites estarão amanhã offline, nomeadamente a Wikipedia, em protesto contra o que consideram poder vir a ser o dia mais negro da expressão livre... a convocatória para uma "Quarta-Feira Negra na Internet" está feita, embora as obrigações legais e contratuais de prestação de serviços impeçam aparentemente que o Google e outros grandes players opositores venham a participar neste "apagão".

O fundador da Wikipedia diz: "Isto vai ser um 'uau!' e espero que na quarta-feira a Wikipedia ajude a sobrecarregar os telefones em Washington até que derretam. Digam a toda a gente que conhecem o que se passa!"

Quem também já se juntou a este movimento foi a Mozilla (empresa que faz o browser "Firefox") e a Wordpress (serviço que permite a criação gratuita e simplificada de sites e blogues).

A posição da Casa Branca é, como se esperava, cautelosa, com comentários como: "Qualquer esforço para combater a pirataria online deve ter mecanismos de defesa contra a censura e proteger as actividades que estão dentro da lei. Adicionalmente, não deve inibir a inovação feita por quaisquer entidades, sejam estas grandes ou pequenas."

Como nos EUA as actividades de lobby são legais e feitas "às claras" (ser lobbyista é uma profissão reconhecida pela lei), é preocupamente para todos os que se opõem ao "SOPA/PIPA" que os comités que as votam e podem levar ao Congresso sejam visível e maioritariamente a favor.

Nunca como hoje, a frase do escritor/compositor/intérprete Robert Zimmerman, a.k.a. Bob Dylan, foi tão verdade:
"The times, they are a-changin'!"


Fontes: CNET | ABC News

publicado por Hugo Salvado às 18:15

14
Jan 12

Em data de um primeiro apontamento, após o amável convite que o meu amigo João Távora me endereçou, e com o social media como tema central da "vida na Internet" (ela existe, é um facto!), observa-se que parece valer tudo no que diz respeito à propaganda feita por cada um dos três grandes players (Twitter, Facebook e Google+).

Google+ vs Twitter

Tal como foi aqui abordado, a luta entre o Facebook e o Google+ continua bem acesa... mas o Google (empresa) também tem a estratégia montada para não permitir ao Twitter as vantagens que para as suas próprias plataformas desenhou (mecanismo de busca Google a pesquisar conteúdos da Internet e do Google+ em simultâneo).

 

No calor da batalha, o Twitter torna público que considera que o Google não está a prestar o melhor serviço, mas sim o que lhe mais convém, porque releva apenas conteúdos que os utilizadores colocam no Google+ sobre os conteúdos que existem na Internet, ignorando outras redes sociais.

 

Do outro lado da barricada, o Google informa que indexaria os conteúdos publicados no Twitter se esta empresa o autorizasse, porque tem meios para o fazer - e fez, até Julho de 2011, quando expirou um acordo oficioso entre ambos sobre esse aspecto - vindo agora alegar que nunca indexou o símbolo "@" no mecanismo de pesquisa, o que não passa de um fait-divers.


Fazendo um pequeno enquadramento, cada post feito no Twitter (ou seja, cada "tweet") é constituído por: "@nome_do_utilizador mensagem_a_publicar" onde a mensagem a publicar pode conter menções a outros utilizadores, usando o "@" (arroba) e/ou menções a outros tópicos de conversa, usando o "#" (cardinal); naturalmente, o utilizador não escreve o seu próprio nome, mas este é incluído automaticamente no tweet.

 

Por exemplo, se o utilizador "pedro123" quiser dizer que gostou de conversar com a utilizadora "carla987" no evento Silicon Valley Comes To Lisbon, irá escrever um post que resulta em: "@pedro123 gostei imenso da discussão sobre networking com a @carla987 no #SVC2Lx deste ano! ;-)".

Com este tipo de estratégia, o Google expõe-se, enquanto líder dos motores de pesquisa online, a ser acusado de não cumprir as leis da concorrência.

publicado por Hugo Salvado às 23:50

12
Jan 12

 

Definitivamente a “newsletter” por email, exerce um inexplicável fascínio sobre muitos empresários portugueses. Irónicamente, apesar da sua comprovada inutilidade no meio do lixo que nos vem parar à caixa do correio diariamente, quanto mais abonecada e “dinâmica” (cara) for, mais atractiva é considerada. Claro que corremos o risco de ser proscritos pelo cliente se formos  peremptórios  a afirmar que ninguém vai ler a dita newsletter, se ela não for simples, sintética, limpa, e destinada a listas com segmentação absolutamente refinada.

É muito difícil contrariar esta fatal atracção pelo desperdício de recursos, que seriam tão bem empregues noutras fórmulas mais eficazes de comunicação, nomeadamente aquelas que as plataformas de social média hoje disponibilizam, se utilizadas numa abordagem profissional e estratégia ponderada. Por outro lado, parece-me estranho que a maior parte das empresas, incluindo algumas marcas com prestígio, ainda não tenham compatibilizado a sua comunicação online com a internet móvel, ou seja, com os cada vez mais vulgares smartphones. Para dar um simples exemplo, no outro dia na rua tive a necessidade de consultar uma conhecida distribuidora de cinema para confirmar a hora duma exibição, e o meu telefone bloqueou por causa incompatibilidade do sitio dessa marca com este tipo de gadgets. Shame on you!


Há quase vinte anos que se sabe (e a realidade comprova-o) que o palco da competição dos negócios cada vez mais se dará na Internet, mas a maior parte dos empresários portugueses continua a menosprezar este paradigma. Sem estratégia ou critério, contentam-se em "ter um site", solução que per si o mais das vezes redunda numa total inutilidade.

 

Imagem daqui

publicado por João Távora às 12:48

11
Jan 12

Para os utiliazdores que possuem um perfil no Google + o motor de busca passa (para já ainda só disponível na versão inglesa)  a apresentar, em cima à direita, um botão para activar/desactivar opções de personalização configurável, que tem em conta as preferências, os seus hábitos de navegação e pesquisa.
Numa nota oficial, os responsáveis da empresa afirmam que pretendem transformar o Google num motor de pesquisa que compreende não apenas conteúdos mas também pessoas e as suas ligações, cujos dados destas páginas serão devidamente encriptados, por forma a defender a privacidade do utilizador.

O Google+ foi lançado em meados do ano passado para concorrer com o Facebook, estando já as respectivas funcionalidades de partilha integradas no site da Sinapse Media. É que em Outubro esta rede social contava já com 40 milhões de perfis pessoais…

publicado por João Távora às 11:58

02
Jan 12

 

Em Portugal a Samsung, que utiliza o sistema Android, é líder ao nível dos telemóveis no seu todo e no subsegmento que mais cresce, os "smartphones"; não constituindo o preço o factor decisivo afirma Pedro Gândara, director de marketing da empresa em entrevista ao Dinheiro Vivo

publicado por João Távora às 10:55

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Editorial
Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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