Um blogue sobre comunicação inteligente

20
Mai 14

Estas últimas semanas foram agitadas no universo da imprensa portuguesa que, como no resto do mundo desenvolvido evidencia uma tão prolongada quanto funesta inadaptação a um novo modelo de consumo de informação emergente da Internet. O anúncio do lançamento do projecto Observador, um jornal de linha editorial definida, integrando um corpo redactorial com nomes consagrados do jornalismo e da opinião como David Dinis, José Manuel Fernandes, Helena Matos, João Cândido da Silva, ou o historiador Rui Ramos, terá acelerado o processo de renovação no projecto digital do jornal Expresso que perante isso se antecipou não só com o lançamento de um inédito vespertino online, mas, last but not the least, ostentando grandes melhorias na navegabilidade, arrumação e adaptabilidade gráfica aos diferentes suportes electrónicos móveis. 
Assim, ao atrevimento do Observador, publicação que se assume como um projecto jornalístico online de conteúdos inteiramente abertos e interactivos com o leitor e as redes sociais, corresponde uma não menos audaciosa aposta do Expresso num modelo de sinal contrário, de acesso pago e num formato de leitura horizontal, reproduzindo uma experiência de leitura à maneira do papel. Munidos que estão, ambos os projectos, de um equipa editorial de grande qualidade, têm pela frente um difícil desafio de afirmação, se não perante os respectivos públicos, certamente pelos anunciantes e patrocinadores único garante da sua viabilidade a longo prazo. Nesse sentido custa-me a entender o modelo algo conservador assumido pelo Expresso, em confonto assumido com o incontornável poder disseminador das redes sociais e plataformas de auto-edição, e também pela assunção de um estranho formato de “vespertino” com horário de publicação à hora certa (às 18:00) claramente contranatura numa plataforma cujo potencial é a actualização contínua de conteúdos em tempo real. Ou seja, este modelo de negócio dá ideia da contrariedade que representa para o velho e institucional jornal Expresso o esforço de adaptação à era da democracia digital que afinal se suporta na agilidade dos meios e na interactividade com o leitor. No entanto estou em crer que é esse distintivo “aristocrático” que lhe vale um público certo, as elites regimentais, quadros médios e superiores do Estado, das grandes corporações e empresas que à volta dele gravitam: o jornal de Balsemão afirmou-se após o 25 de Abril como a bíblia do establishment da esquerda social-democrata e politicamente correcta cujo espaço afinal todos os outros generalistas lhe disputam. 
Sob essa perspectiva é que o Observador nos surge como uma verdadeira pedrada no charco, um autêntico atrevimento: mesmo munido da melhor tecnologia, reunida uma bem calibrada equipa, um projecto editorial criado de raiz para a Internet, financiamento transparente e linha política sem equívocos; mesmo exibindo tudo isso e bons conteúdos num desenho elegante e ergonómico, tendo em conta um público habituado a exigir qualidade à borla e um mercado publicitário desajustado, é de esperar para o projecto de José Manuel Fernandes um duro caminho de pedras. 

 

PS.

Muito inteligente a fórmula escolhida para a “newsletter” de O Observador: duas vezes por dia em texto normal, sem poluição visual, entra na caixa do correio como se tratasse de uma mensagem particular, aborda os principais temas publicados nas últimas horas numa linguagem informal e assinada pelo redactor de serviço.

 

Ilustração: daqui

publicado por João Távora às 21:22

19
Mai 14

Hoje o dia nasceu com um novo jornal: de conteúdos abertos, 100% online, com uma linha editorial assumida, chega a ser atrevimento. O desenho é limpo e elegante e de navegação muito ergonómica. Uma equipa de luxo que integra nomes consagrados do jornalismo como David Dinis, Jose Manuel Fernandes, Helena Matos, João Cândido da Silva, com historiadores como Rui Ramos e Fátima Bonifácio. Longa vida ao Observador.

 

 

publicado por João Távora às 10:39

05
Mai 14

Em complemento ao post anterior, é mesmo real que o futuro da Internet encerra em si muita incerteza, porque o shift do paradigma da sua existência e utilização pode realmente acontecer.

Não, a Internet não é algo que possamos tomar como garantida no formato em que a conhecemos, é algo dinâmico, até a um nível físico da sua própria construção (cablagem, hardware e software de rede, etc.).Um exemplo é o facto de Mark Zuckerberg (Facebook) e a Google estarem a adquirir uma parte significativa da rede nos EUA.

 

Só esse facto quer dizer que a Internet de uso gratuito que hoje usamos pode transformar-se num conjunto de propriedades privadas e potencialmente taxáveis (intenção já revelada por Zuckerberg).
Tal como falámos ontem, a pergunta que fica é: estamos prontos?

 

Fonte: Gizmodo.

publicado por Hugo Salvado às 13:33

04
Mai 14

O futuro da Internet é incerto, bem como a sua dimensão e aplicabilidade no nosso dia-a-dia, tão ou mais do que era há 20 anos, quando dava os primeiros passos.

A chave é a preparação, por via do conhecimento, da abertura à aprendizagem.

Uma das empresas de vanguarda de então, a NPR, publicou um memorando que apresenta "a ponta do icebergue".
Vale a pena ler:

A frase-chave é: "...the biggest bang for the least impact on hardware, software and staff support...", ou seja, a maior possibilidade de disrupção com o menor impacto interno.

E nesse aspecto, a Internet continua a ter a maior e mais variada oferta.

Agora, como há 20 anos, a questão é: estamos prontos?

 

Fonte: NPR.

publicado por Hugo Salvado às 21:30

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Editorial
Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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