Um blogue sobre comunicação inteligente

03
Jul 12

 

Peter Gabriel, que estará entre nós no próximo dia 7 no festival Super Bock Super Rock, foi dos primeiros músicos a apostar numa plataforma integrada de comunicação web, tendo desse modo o artista no final dos anos noventa consolidado a sua autonomia de intermediações desnecessárias. Então já com editora própria, a Real World, este artista multifacetado e pioneiro já exibia um sítio dinâmico com notícias diárias, vídeo-notícias, radio-online, galeria fotográfica, página de fórum, loja online com edições especiais, raridades e venda de bilhetes para os espectáculos.
De facto, Peter Gabriel, para lá de uma lenda viva da música contemporânea, não sendo o clássico “comunicador nato” é sem dúvida um fenómeno de “comunicação inteligente”, tanto em cima do palco como na gestão da sua carreira. Em ambos os planos, tudo é premeditado e trabalhado ao mais singelo detalhe desde o início da sua carreira nos Genesis: a prestação da banda e a pantomima do vocalista seguia um guião dum rigor impressionante, um conceito vanguardista de "espectáculo total" em que a música é ilustrada não só por aparatosos efeitos visuais, mas por surpreendentes elementos cénicos e teatrais. A mística criada à volta desses concertos subiu de patamar na sua carreira a solo. Então, e durante mais de uma década, a imagem publicada de Gabriel era limitada a uns quantos ensaios de distorção fotográfica, que pouco revelavam do artista, uma estratégia que fomentava o enigma, a desvendar em esplendor nos concertos ao vivo milimetricamente encenados, através da sua voz impar, das suas histórias e canções. Não admira que boa parte delas abordem o tema e as consequências da (falta) de comunicação entre as pessoas.
Uma lenda constrói-se principalmente através do Dom que o artista possui, mas tal não é possível sem uma boa gestão de imagem e relações públicas. Se não for através duma morte trágica e prematura, a única forma de um bom artista se afirmar e sobreviver é com boa estratégia de comunicação. Essa história do artista incompreendido e isolado do mundo passando fome, é um mito veiculado pela moda e pelos marchands.

publicado por João Távora às 19:37

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Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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