Um blogue sobre comunicação inteligente

18
Jan 13


“Em cada dia de 2012, o mundo produziu, mais informação escrita do que toda aquela que existia antes de 2003.” Como se não bastassem os crescentes desafios e aflições que nos impõe o ajustamento económico global, vemo-nos inquietados por esta parangona dum artigo do Jornal de Negócios. Nele se faz referência aos efeitos colaterais da nossa Era Digital que democratizou e desintermediou definitivamente a comunicação. A isso chamou Alfons Cornellá, especialista espanhol em tendências da informação, “infoxicação” um neologismo que é a mescla das palavras “informação” e “intoxicação” salientando assim o seu efeito perverso.
Tanto ou mais do que os efeitos psicossomáticos causados às pessoas que têm dificuldade em desligar-se da constante torrente de informação, se é certo que o fenómeno implica o desenvolvimento de novas competências na pesquisa e filtragem dos dados, interessa-nos aqui salientar o desfio que este coloca aos emissores a descobrirem e actualizarem fórmulas de se fazerem escutar pelos seus públicos-alvo.
Isto só é possível com uma valorização do trabalho profissional nas disciplinas da comunicação e do marketing, no constante aprofundamento do estudo, sério e competente dos mercados e das suas tendências, para a concepção das fórmulas adequadas de conferir credibilidade e atractividade à informação veiculada, que soe cristalina a quem a procura ou dela tenha necessidade.
Da monstruosidade dos números mencionados no início deste texto, desse susto ao final do dia racionalizado, creio sinceramente que apesar de tudo o mundo é hoje mais transparente, que somos todos de facto mais livres. 

publicado por João Távora às 11:56

comentário:
Sendo levado a concordar consigo em muito larga medida, João, não posso deixar de lhe assinalar uma pequenina questão que resulta do seu (quase saudável) wishfull thinking. O João crê "sinceramente que apesar de tudo o mundo é hoje mais transparente, que somos todos de facto mais livres".

A questão é que, no "apesar de tudo" que refere, pesa a infoxicação do Cornellá que citou muito a propósito. Ora, infelizmente, entre esta infoxicação e outros efeitos que não se esgotam nos psicossomáticos, existe muito pouca margem de manobra para se afirmar assim tão ousadamente, diria, que o mundo é hoje mais transparente ou que somos (todos???) mais livres.

E não, não acredito que a comunicação se tenha democratizado e desintermediado assim tanto... bem pelo contrário, na minha opinião. Aliás, o Tony Judt em "Postwar" chama indirectamente a atenção para o problema, apesar de não ser esse o escopo da obra. Grosso modo, ele chama a atenção para o facto de não existir uma correspondência directa entre o consumo de tecnologia de comunicação e informação e níveis efectivos de consciência cívica e política, mas também de massa crítica em geral. Exemplos que ele adianta? Países do Leste da Europa... e Portugal! O argumento é mais espesso do que esta redutora referência que lhe acabo de fazer, mas fica o essencial da minha ideia.

Quanto à valorização do trabalho profissional nas disciplinas da comunicação e do marketing, trata-se de um objectivo em si mesmo inquestionável, mas que não pode ser dissociado da valorização das restantes áreas do conhecimento, sob pena de nada valer ou poder valer...
Um abraço!
João Rebocho Pinto a 19 de Janeiro de 2013 às 12:38

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Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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