Um blogue sobre comunicação inteligente

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Mai 17

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 Um sinal de alerta foi como senti quando há uns dias o meu filho de dez anos me manifestou o seu espanto e incredulidade por causa de umas imagens impressionantes que passavam no telejornal da tomada duma posição ao DAESH pelo exército iraquiano – “mas afinal existem guerras de verdade?” Fiquei com a sensação de que para o miúdo as guerras eram coisas do passado ou então entretenimento para os videojogos. Acontece que hoje em dia, por mais que os pais tentem convocar o Mundo para a mesa de jantar, os miúdos crescem dentro de um aquário mediático, a ver desenhos-animados em canais temáticos, a seguir os seus ídolos do Youtube a dizerem umas banalidades a propósito dos temas da moda ("youtuber" é o termo que define as estrelas que aglutinam multidões de seguidores nesta plataforma de vídeos auto-editados) e a brincar com jogos de consola, completamente a leste do mundo real. E não me parece que estejamos a poupar as crianças à crua violência: ela tornou-se um “bem de consumo” extremamente realista e brutal na forma dos jogos virtuais e nas séries e filmes de TV. É nesse sentido que sou levado a intuir que, com tanta tecnologia, além de mais preguiçosas, as novas gerações ficam a perder mundividência. A minha geração quando era criança, condicionada a dois canais de televisão e a pouco mais de meia hora por dia de programas infantis, era pedagogicamente obrigada a espreitar para o mundo dos adultos - certamente não muito atractivo. Além dos noticiários que espreitávamos mais ou menos involuntariamente, à segunda-feira levávamos com teatro clássico, à quarta havia “Noite de Cinema”, e em desespero, num domingo chuvoso até víamos o “TV Rural” enquanto esperávamos pela transmissão de um jogo de rugby ou duma corrida de Fórmula 1, já para não falarmos dos programas sobre a natureza e a bicharada. Mas principalmente, à minha geração era-lhe concedido o privilégio de longos momentos de “tédio”, que nos obrigava a fizermos acontecer alguma coisa, e nos dava muito espaço para exercitar a imaginação e para os livros.

Se é verdade que esta nossa era dos “media sociais” e dos canais temáticos e segmentados permite uma oferta muito alargada de informação e cultura (os blogs disso são exemplo), o outro lado da moeda é terrível. O completo alheamento da realidade. Sei por experiência própria como é difícil impingir aos jovens as preocupações e a consciência dos problemas e desafios complexos que grassam no mundo para lá do soundbite difundido pelas redes sociais. Nesse sentido desconfio que as novas gerações estão mais desprotegidas porque ausentes no menu dos “factos” que lhes interessam e das “verdades” que escolhem a cada momento consumir. Porque “a quem dorme, dorme-lhe a fazenda”.

publicado por João Távora às 12:49

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Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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