Um blogue sobre comunicação inteligente

13
Dez 14

O Ministério da Economia e a Secretaria de Estado da Cultura lançaram conjuntamente o desafio de celebrar o Ano Português do Design entre 29 de Maio de 2014 e 30 de Setembro de 2015. Nesse sentido foi lançado ontem um website há muito esperado por aqueles que já tinham ouvido falar na iniciativa(por agora em português). Tardou mas cá está. O objectivo primordial é o de destacar "o design nacional como uma área-chave para o desenvolvimento de Portugal enquanto país inovador e contemporâneo. Pretende-se com esta parceria valorizar a qualidade do design português ao nível nacional e promover a sua difusão no espaço internacional (…)” . Que bom! O próprio site e programação já nos permitem avaliar de que forma é pensado estrategicamente o design em Portugal, como é categorizado e como está prevista a sua valorização e difusão no espaço nacional e internacional. Destacamos o facto de este site pretender ser uma plataforma participativa com o objectivo de mapear o "design português, dentro e fora do território nacional.” Uma necessidade já identificada há bastantes anos por algumas pessoas que nos seus projectos universitários a tentaram colmatar. Lembramos o Dizer Design (2011), um projecto sem fins lucrativos, criado com este e outros objectivos que ainda podem ser revistados na sua página de Facebook. Seja como for é aqui que "todos os designers, todas as empresas, todas as instituições e demais protagonistas do campo do design” são convidados "a enviar os seus dados para a criação de um vasto directório de design pensado e/ou produzido em português.”. Se o objectivo é a difusão internacional talvez fosse bom que não difundissem só em português. De qualquer forma é de louvar a iniciativa e ela só dará frutos se sair da esfera dos “do costume". Vamos participar!

publicado por Madalena Pestana às 21:40

06
Nov 12

 

His Master's Voice ou “A voz do dono” em português, é uma das mais afamadas marcas da indústria de reprodução e gravação e sonora do século XX, tendo-se distinguido em grande medida devido ao seu inconfundível rótulo, um cão atento espreitando para a campânula dum gramofone, uma pintura da autoria de Francis Barraud.

A história que dá origem a este caso de sucesso é bem curiosa e até comovente. Com morte do irmão Mark, o pintor herdou não só o seu fonógrafo como um fox terrier, Nipper. Certo dia quando Francis escutava gravações da voz do seu irmão, o cachorro colocou-se atento junto ao cone do aparelho, reacção que o Francis decidiu perpetuar numa tela. Inicialmente a pintura apresentava um fonógrafo de cilindros, que o pintor inglês tentou, sem sucesso, vender a Thomas Edison para as suas campanhas comerciais.
Perante a recusa, o pintor substituiu o fonógrafo por um gramofone, mecanismo concorrente que então dava os primeiros passos (leitura de discos), e em 1899 vendeu a pintura à empresa britânica The Gramophone Company que a partir de então utilizou em diversas campanhas e com muitas adaptações. Os direitos da célebre imagem foram concedidas para utilização nos EUA à marca Victor Talking Machine Company de Emile Berliner o inventor do gramofone e parceiro amercicano da companhia inglesa.
Em 1920 foi atribuída ao pintor uma pensão anual de 250 libras como reconhecimento da importância que a sua criação teve na promoção dos gramofones em todo o mundo.

 

Fontes: Wikipédia e “ Fonógrafos e Gramofones” de Luís Cangueiro

publicado por João Távora às 12:53
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26
Out 12

Há algumas semanas que o eBay anunciou o seu novo logótipo. E, com ele, um turbilhão de opiniões logo surgiu...

 

A primeira crítica foi: "O novo logótipo não tem a particularidade que o original tinha, é absolutamente comum." Verdade.

Logo depois, várias publicações de design e grafismo sugeriram que o logótipo tem erros conceptuais, sendo que o mais visível é o kerning (espaçamento entre letras) ser negativo e haverem pequenas sobreposições entre as letras, tão pequenas que parecem defeitos.

Mas, num mundo (a América, ou melhor, os Estados Unidos da América) onde a imagem vale tudo, a crítica não bastou.

Houve propostas de melhoria, concursos, votações... porque o maior (e quase único) site de leilões do mundo pode ser tudo menos comum (será?!) ou banal (mesmo?!).

Por exemplo, a 99 Design lançou um concurso e pôs o seu "top 25" a votação. Mesmo assim, após essa publicação, ainda houve quem não estivesse completamente satisfeito, como a Business Insider, e publicasse a sua sugestão de mais 15 designs alternativos

Do lado de dentro (do eBay), o contraste era dado pelo presidente, Devin Wenig, que apontou à simplicidade quando apresentou o novo logótipo como um esforço de a empresa se reinventar ao fim de 17 anos e criar "um novo eBay".

Não só pelo logótipo, mas também por inovações feitas na navegação e no "my eBay" (página pessoal de cada utilizador), Wenig reforçou a ideia de um site “mais limpo” e “mais consistente” do que no passado; para ele, as letras simples e directas reflectem isso. Manter a palette de quatro cores era essencial, por representar a comunidade de visitantes (compradores e vendedores), que ele considera ser uma comunidade “conexa e, diversa”.

Seja pela fidelidade à imagem da marca, seja pela publicidade que atraiu, esta mudança foi um sucesso total... ou, como dizem os americanos: "there's no such thing as bad publicity!"

 

Fontes: ContentEqualsMoney | 99 Design | Business Insider | Mashable.

Imagens: eBay (originais) | 99 Design (propostas alternativas).

publicado por Hugo Salvado às 23:30

27
Jul 12

A palavra "branding" é dos estrangeirismos (anglicanismos, para ser mais exacto) que melhor se ajustam a um conceito relativo a marketing. Trata-se, tão somente, de fazer ajustar uma imagem de marca (ou "brand image") à sua identidade.

Simples... só conceptualmente.

O processo é habitualmente moroso e iterativo, dado que a entidade/empresa visada tem sempre a intenção de se fazer apresentar no seu melhor, de passar uma imagem atractiva do que representa, do que são os seus valores e objectivos, um pouco como uma mulher quando selecciona a sua maquilhagem. Mas o “branding” é muito mais do que eye-liner e baton, é muito mais do que a escolha da roupa... implica uma coerência entre aspecto exterior e conteúdo.

O bom "branding" é fiel, claro e caracterizador, traduz para o consumidor ou (potencial) cliente a verdadeira identidade de quem se apresenta, seja num flyer, num outdoor, num website ou num cartão de visita.

Existem inúmeras soluções possíveis para o tratamento de "branding" de uma marca (e/ou sua re-criação - "rebranding") e, como Alina Wheeler - uma conceituada brand consultant norte-americana - refere no seu livro "Designing Brand Identity: An Essential Guide for the Whole Branding Team", o processo até pode ser simplificado e decomposto em cinco passos:

  1. Fazer pesquisa/investigação
    • Clarificar a visão, estratégia, objectivos e valores da entidade;
    • Investigar necessidades e ideias dos stakeholders;
    • Auditar marketing, concorrência, tecnologia, liguagem;
    • Avaliar as marcas existentes no mercado;
    • Apresentar os resultados destes estudos.
  2. Clarificar a estratégia
    • Sintetizar os resultados obtidos;
    • Tornar clara a estratégia;
    • Desenvolver um posicionamento;
    • Colaborar na criação das características da marca;
    • Resumir o significado da marca;
    • Criar uma estratégia de nomenclaturas/termos a usar;
    • Desenvolver uma frase-chave (slogan);
    • Resumir o conteúdo criativo da marca.
  3. Desenhar a identidade
    • Projectar a identidade no futuro;
    • Fazer o brainstorm de uma ideia central;
    • Explorar aplicações da nova identidade;
    • Obter aprovação da entidade.
  4. Criar pontos de contacto
    • Finalizar o design da nova identidade;
    • Desenvolver olook-and-feel(usabilidadevsaspecto);
    • Preparar protecção de direitos de autor;
    • Desenhar aplicações de design da nova identidade (testes de conceito);
    • Aplicar a arquitectura da marca (design, formatos, estacionários, etc.).
  5. Gerir as características/qualidades
    • Criar sinergias com a nova marca (produtos, comunicação, etc.);
    • Desenvolver estratégia de lançamento de produtos;
    • Lançamentos internos da nova marca;
    • Lançamentos públicos (externos) da nova marca;
    • Desenvolver standards;
    • Realçar e criar enfoque nos aspectos (e resultados) mais positivos de todo o desenvolvimento.

Esta checklist deve servir para lembrar que o "branding" é muito mais do que um mero logótipo, jogo de cores ou estilo de letra.

Como em tantos outros processos, a sua adopção não é garantia de sucesso, mas a inobservância de alguns princípios básicos nela contidos é, muito provavelmente, garantia de insucesso.

Manter sempre presente: ética/integridade - estratégia/planeamento - acção/comunicação.

 

Fontes: LogoDesignLove | @issue | David Airey (blog)

publicado por Hugo Salvado às 11:45

19
Abr 12

É uma verdade do mercado, a existência de compromissos.

Sem dúvida, é uma verdade para o design gráfico, mas também pode ser transportado para muitíssimas outras áreas e âmbitos, o dizermos que podemos ter o melhor de dois mundos... mas não de três.

Como resolver/contornar o problema?

publicado por Hugo Salvado às 00:30

03
Nov 10

É nos sites simples que é mais fácil detectar boas e más práticas, que podem ser extrapoladas para sites mais complexos.
Aqui fica o exemplo de dois sites de promoção de aplicações iPad, cujo propósito principal é, obviamente, conduzir o utilizador a fazer download da aplicação.


Brushes


Aqui está uma excelente aplicação que ganharia com uma reconfiguração ao site:

1. "Scroll": o utilizador é levado a ler para baixo do écran inicial, numa forma pouco organizada, onde é difícil seleccionar o texto que nos interessa.

2. Texto longo e pouco atractivo: logo abaixo da imagem temos uns parágrafos de texto descritivo. Porque não um vídeo ou animação?

3. Páginas secundárias: Mais uma vez, um vídeo resolveria esta questão, visto que se evitava que o utilizador tivesse de ir a outra página (sempre com muito menos consultas que a homepage) para ver as funcionalidades da aplicação.

4. Fora de contexto: Página de artistas, blog, fotos no Flickr. No fundo os criadores deveriam ter optado por ter 2 sites: um de comunidade de utilizadores (partilha de portfólios, etc...) e outro site para promoção da aplicação. Como está, a eficácia de ambas as áreas (download vs. comunidade) fica comprometida.

Masque

 

Outra grande aplicação, com um site mais à altura (quase):

1. Design atractivo que comunica de imediato o propósito "artístico" da aplicação, neste caso de tratamento de imagem.

2. Animação: Sem intervenção do utilizador, a aplicação ganha vida e mostra-nos do que é capaz.

3. "Scroll": Ok, há um scroll significativo, mas tem os elementos bem organizados e é fácil escolhermos a parte que nos interessa.

4. Páginas secundárias: também as tem, mas alguém precisa mesmo de as ver? Eu fiquei convencido só com a homepage. Onde está o botão para download? Ah, aí está um ponto a melhorar... Um botão diferenciado da barra superior teria uma taxa de sucesso de cliques bem mais interessante.

Estranhamente, nenhum dos sites tem uma forma simples para divulgarmos a aplicação no Facebook, por exemplo.

Quantos sites são hoje excelentes exemplos de bons conceitos e de design, mas que não são feitos de forma a produzir resultados? Um back to basics compensa.

publicado por Leonardo de Melo Gonçalves às 13:23

02
Nov 10

A tendência da utilização duma mensagem hermética e abstrata por parte de algumas empresas de comunicação e relações públicas significa, além da subsequente perda de energia num esforço de auto-justificação, na dificuldade de percepção por parte do mercado da sua real importância.

Um conhecimento fundamentado do tecido produtivo nacional revela-nos como são precariamente utilizadas e subestimadas as modernas ferramentas de Comunicação e literalmente menosprezada qualquer estratégia de Relações Públicas. É na perspectiva da conquista de todo esse mercado, hoje pressionado para a mudança por uma crise sem precedentes, que a Sinapse Média se posiciona numa linguagem cristalina, focada no sucesso e quantificação de resultados.

 

publicado por João Távora às 12:15

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Editorial
Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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