Um blogue sobre comunicação inteligente

11
Abr 13

A vida na era digital implica a capacidade de vivermos "a 200 à hora", de adoptarmos plataformas hoje e deitarmos fora amanhã ou, melhor, abandonarmos umas em prol de outras "como quem troca de camisa".

Aquilo que é trend hoje, pode ser trash amanhã (ou, como dizem os americanos, "glitter to gutter") e o facto de se estar no hype, no topo, não é garante de nada a médio/longo prazo.

 

Há que criar uma identidade própria, uma utilidade real, uma certa independência (e até imunidade ao mercado e contexto económico), para se ser mais do que efémero.

De entre vários casos de "estrelas cadentes", como a Yahoo, o Blockbuster, a Kodak, o GeoCities, a Saab, a Polaroid, um ponto comum para o insucesso é a relação de dependência com um parceiro único, com um mercado target único, com algum tipo de estrangulamento que impede a diversificação do que se vende/produz/oferece.

No cenário actual, vimos uma empresa a "cair" nesta categoria: Instagram.

 

Alguém usaria/consultaria as fotos sem que seja no Facebook?
Sim, mas quem o faz na própria plataforma do Instagram não tinha uma vantagem clara sobre as N plataformas de gestão de imagens/fotos que estão disponíveis gratuitamente. E apesar de os cerca de 20 filtros (já foram 22, agora são 19) serem muito interessantes, não é esse o facto que torna a plataforma única e tão procurada.
O factor decisivo é a fácil e imediata partilha de uma foto com estilo/qualidade, é isso que torna o Instagram original.

Felizmente para a empresa, o Facebook gostou tanto que pagou mil milhões de dólares por ela (e acabou-se a preocupação).

Ainda assim, e sem takeovers ou aquisições, já houve quem tarde se auto-reinvetasse - como a Apple, Old Spice ou a Lego - e "voltado à vida", sinal de que nunca é tarde demais para se diversificar e acompanhar a mudança permanente em que vivemos.

publicado por Hugo Salvado às 11:45

15
Jan 13

Depois da alteração das condições e termos de utilização e da polémica que gerou, ficou claro que Mark Zuckerberg não dita as leis, por mais poderosas que sejam as plataformas de que é dono.

Os números dizem tudo, em 15 dias, o número de utilizadores activos do Instagram baixou de 16,3 milhões para 7,6 milhões.

Lição aprendida?

 

Fonte: The Register / AppStats

publicado por Hugo Salvado às 00:30

31
Dez 12

Foi no início de Setembro que o Instragram (plataforma) foi adquirido pela Facebook (empresa) de Mark Zuckerberg, por cerca de 700 milhões dólares, e, naquela altura, não se notaram alterações no funcionamento da plataforma de partilha social de fotos.

Mas, no início de Dezembro, começaram a aparecer alguns rumores sobre a melhoria da interligação do Instagram com o Facebook e logo se começou a especular que, com toda a certeza, as alterações não seriam apenas de âmbito visual ou ao nível de funcionalidades.

As suspeitas confirmaram-se à cerca de uma semana, com a publicação nas novas condições de utilização do Instagram, onde podemos destacar:

  • Os conteúdos publicados no Instagramsão passíveis de serem disponibilizados no Facebook, outros produtos da empresa, parceiros e patrocinadores - esta situação abre espaço para situações em que uma foto de um qualquer utilizador possa ser usado para fins comerciais, anúncios e publicidade incluídos, de qualquer entidade detida pela Facebook (empresa);
  • Os menores não estão sujeitos a qualquer tipo de excepção - o facto de os utilizadores poderem registar-se com 13 anos não é impeditivo do uso das imagens; as condições de utilização informam que o seu consentimento implica o conhecimento das publicações por um maior de idade;
  • A publicidade (e serviços pagos associados) pode não estar identificada como tal - isto quer dizer que será fácil e comum confundir-se publicidade com posts de pessoas "amigas";
  • Existe uma forma de não aceitar as novas condições: apagar a conta.

As alterações, consideradas unanimemente altamente intrusivas, transformam a Facebook (empresa) na maior agência de fotografias do planeta, com os mais de 100 mil "fotógrafos" (leia-se "utilizadores") com o seu catálogo disponível.

Já na semana do Natal, a debandada começou... milhares de utilizadores começaram a fechar as suas contas de Instagram e a abrirem contas noutras plataformas, nomeadamente o Flickr e oShutterfly.

Hoje mesmo, o exemplo foi dado por Ryan Block (ex-Editor da Engadget e co-fundador da Gdgt) que, de uma vez, fechou as suas contas de Facebook e Instagram.

Como diz o ditado (ou quase): "Ano novo, vida (virtual) nova."

No caso destas alterações, elas entram em vigor no dia 19 de Janeiro de 2013, pelo que se recomenda a revisão atenta da presença nestas plataformas.

Fontes: Instagram (termos e condições) | New York Times | Sapo | Forbes | Fox News.

publicado por Hugo Salvado às 20:00

27
Jul 12

A palavra "branding" é dos estrangeirismos (anglicanismos, para ser mais exacto) que melhor se ajustam a um conceito relativo a marketing. Trata-se, tão somente, de fazer ajustar uma imagem de marca (ou "brand image") à sua identidade.

Simples... só conceptualmente.

O processo é habitualmente moroso e iterativo, dado que a entidade/empresa visada tem sempre a intenção de se fazer apresentar no seu melhor, de passar uma imagem atractiva do que representa, do que são os seus valores e objectivos, um pouco como uma mulher quando selecciona a sua maquilhagem. Mas o “branding” é muito mais do que eye-liner e baton, é muito mais do que a escolha da roupa... implica uma coerência entre aspecto exterior e conteúdo.

O bom "branding" é fiel, claro e caracterizador, traduz para o consumidor ou (potencial) cliente a verdadeira identidade de quem se apresenta, seja num flyer, num outdoor, num website ou num cartão de visita.

Existem inúmeras soluções possíveis para o tratamento de "branding" de uma marca (e/ou sua re-criação - "rebranding") e, como Alina Wheeler - uma conceituada brand consultant norte-americana - refere no seu livro "Designing Brand Identity: An Essential Guide for the Whole Branding Team", o processo até pode ser simplificado e decomposto em cinco passos:

  1. Fazer pesquisa/investigação
    • Clarificar a visão, estratégia, objectivos e valores da entidade;
    • Investigar necessidades e ideias dos stakeholders;
    • Auditar marketing, concorrência, tecnologia, liguagem;
    • Avaliar as marcas existentes no mercado;
    • Apresentar os resultados destes estudos.
  2. Clarificar a estratégia
    • Sintetizar os resultados obtidos;
    • Tornar clara a estratégia;
    • Desenvolver um posicionamento;
    • Colaborar na criação das características da marca;
    • Resumir o significado da marca;
    • Criar uma estratégia de nomenclaturas/termos a usar;
    • Desenvolver uma frase-chave (slogan);
    • Resumir o conteúdo criativo da marca.
  3. Desenhar a identidade
    • Projectar a identidade no futuro;
    • Fazer o brainstorm de uma ideia central;
    • Explorar aplicações da nova identidade;
    • Obter aprovação da entidade.
  4. Criar pontos de contacto
    • Finalizar o design da nova identidade;
    • Desenvolver olook-and-feel(usabilidadevsaspecto);
    • Preparar protecção de direitos de autor;
    • Desenhar aplicações de design da nova identidade (testes de conceito);
    • Aplicar a arquitectura da marca (design, formatos, estacionários, etc.).
  5. Gerir as características/qualidades
    • Criar sinergias com a nova marca (produtos, comunicação, etc.);
    • Desenvolver estratégia de lançamento de produtos;
    • Lançamentos internos da nova marca;
    • Lançamentos públicos (externos) da nova marca;
    • Desenvolver standards;
    • Realçar e criar enfoque nos aspectos (e resultados) mais positivos de todo o desenvolvimento.

Esta checklist deve servir para lembrar que o "branding" é muito mais do que um mero logótipo, jogo de cores ou estilo de letra.

Como em tantos outros processos, a sua adopção não é garantia de sucesso, mas a inobservância de alguns princípios básicos nela contidos é, muito provavelmente, garantia de insucesso.

Manter sempre presente: ética/integridade - estratégia/planeamento - acção/comunicação.

 

Fontes: LogoDesignLove | @issue | David Airey (blog)

publicado por Hugo Salvado às 11:45

23
Mar 12

 

Se pensa que não há imagem mais abominável para a cultura ocidental do que um homem bater numa mulher engana-se. Imagine que a mulher é jornalista e o homem é um polícia. Aí tem a ignomínia perfeita, o poder da imagem no seu esplendor.

publicado por João Távora às 10:29
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19
Fev 12

Em Portugal, ao contrário de nos Estados Unidos da América, não somos muito dados à publicidade comparativa/competitiva, apesar de já haver enquadramento legal para tal há alguns anos.

 

Imagens como esta seriam altamente improvável de ver por cá:

Coke killed Pepsi

 

Este tipo de competição leva a que os próprios consumidores tomem parte na "guerra", optando e tornando pública a sua preferência, autenticamente "vestindo a camisola" do produto da sua preferência.
Seguem dois exemplos (camião da Pepsi a carregar máquina de vendas da Coca-Cola e um empregado da Pepsi a beber uma garrafa da bebida da concorrência):

Por cá, também se "veste a camisola" das marcas e produtos da nossa preferência, mas consideramos deselegante a comparação directa com a concorrência quando se fala em publicidade.

 

No entanto, esta competição/comparação está permanentemente presente, de forma explícita ou implícita, pelo que a simples identificação de uma marca nos leva imediatamente a aceitar ou a rejeitar o seu conteúdo.

 

Jogando com esta associação visual, o romeno Stefan Asafti desenvolveu um projecto gráfico que mistura/confunde propositamente marcas (e seus slogans) como se de conversações se tratassem.

 

Nas suas palavras: "É surpreendente o quanto os logótipos podem influenciar outros logótipos. A verdade é que cada par de rivais tem algo em comum, e também tem algo que permite construir uma identidade única e distinta face ao concorrente (...)."

 

Ficam três exemplos do projecto "Brandversations".

 

Coca-Cola vs Pepsi:

 

Coca-Cola vs Pepsi
Pepsi vs Coca-Cola

 

McDonald's vs Burger King:

 

McDonald's vs Burger King
Burger King vs McDonald's

 

Windows vs Apple:

 

Windows vs Apple
Apple vs Windows

 

Assim sendo, qual é a sua preferência visual?

E quais são as marcas que têm vencido repetidamente a "guerra"?

 

 

Fontes: Béhance Network | Google Images

publicado por Hugo Salvado às 23:15

08
Abr 11
 

Pacheco Pereira sintetizava recentemente na Quadratura do Circulo com um pessimismo cortante o drama do impasse português que as eleições não resolvem: a convergência duma incapacidade endógena para a mudança, com a submissão da política à lógica mediática, refém de artifícios comunicacionais em detrimento dos atributos substantivos. Em defesa das disciplinas do Marketing e da Comunicação de que sou profissional e aficionado, simultaneamente endeusadas e diabolizadas, convém afiançar que por mais sofisticadas que forem as estratégias ou técnicas aplicadas, o sucesso da propaganda dependerá inevitavelmente da qualidade substantiva do “produto” ou protagonista. Sendo verdade que uma boa estratégia de comunicação opera milagres na percepção pública duma mensagem, a longo termo, a mentira em confronto com a essência, tem sempre as pernas curtas. Como profissional comunicação sei muito bem que antes da imagem está a substância, elemento preponderante para o sucesso de qualquer acção. Citando Kant de memória, “as formas sem conteúdos são vazias e os conteúdos sem formas são cegos”.

publicado por João Távora às 17:13

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Editorial
Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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