Um blogue sobre comunicação inteligente

11
Fev 13

A internet dava os primeiros passos e com ela apareceram os primeiros mecanismos de pesquisa: Lycos, Altavista, Excite, InfoSeek, WebCrawler e Dogpile [ver timeline] apareceram na primeira metade da década de 90 e tinham em comum, uma caixa de texto e um botão que permitia aceder a uma lista de resultados de pesquisa. Alguns, tinham na "homepage" uma árvore de temas, que permitia aceder a conteúdos filtrados por tema.

O aparecimento do AskJeeves, em 1996 trouxe a primeira aproximação alternativa à pesquisa por palavra (ou “keyword”), sendo que a pesquisa era feita por uma questão posta pelo utilizador.

Hoje exige-se muito mais; a substituição da palavra pela imagem, a substituição de uma lista de resposta por um gráfico, infografia ou rede de resultados.

Enquanto a Google trabalha no seu Knowledge Graph [ver link], a Facebook entra também no mercado dos motores de pesquisa, tendo feito a apresentação do seu Facebook Graph Search [link - demonstração] mecanismo de pesquisa semântica com resposta gráfica e imediata, indiciando alterações paradigmáticas no curto prazo.

 

Facebook Graph Search

 

Exemplos de uma pesquisa seriam:

  • “Fotos dos meus amigos de Nova Iorque” (exemplo da imagem acima)
  • “Amigos meus que gostam de U2 e Awolnation”
  • “Pessoas com quem falei no grupo de Política e Responsabilidade Social”
  • “Fotos que publiquei com o meu amigo Nuno Miguel” ou “Fotos que ele publicou”
  • “Mensagens que enviei sobre anúncio de venda do carro”

Assim como a categorização em árvore tem vindo a ser substituída pelo "tag" ou "label" por tema (que pode enquadrar qualquer conteúdo em múltiplos temas e não apenas uma categoria), algo semelhante se passará com a pesquisa: centrar os resultados na escolha de uma palavra-chave deixará de ser obrigatório ou primordial, porque a associação de um evento, artigo, notícia ou pessoa a uma pergunta vai muito para além das palavras que descrevem esse evento, artigo, notícia ou pessoa.

Embora neste âmbito se fale muito em algoritmia (especialmente com as alterações introduzidas pelo social media), o foco maior está sempre na optimização da satisfação da necessidade do utilizador e é nesse princípio que aparecem modelos alternativos de pesquisa, como por exemplo:

  • Wolfram Alpha (conceito inovador em termos de algoritmia e resultados ricos em informação, inclusive com várias métricas de cada resultado),
  • NowRelevant (pesquisa altamente virada para o presente e passado muito recente),
  • SocialMention (orientada para conteúdos existents em social media, blogues, fóruns, etc.),
  • DuckDuckGo (que se origulha de ser 100% respeitador da privacidade online),
  • DocJax (pesquisa de eBooks e artigos gratuitos),
  • Blekko (enfoque na relevância em vez da quantidade de conteúdos), ou ainda
  • StartPage (usa o Google como mecanismo, mas sem qualquer identificação de quem pesquisa).

Estas plataformas fogem do "mainstream" de pesquisa de conteúdos (um pouco à semelhança do que se passa no mundo da música) para terem uma identidade própria, adequada a um share mais pequeno de utilizadores mais específicos, mais literados e que sabem melhor aquilo que procuram e como o querem encontrar.

 

Fonte: P3 (Público) | Tech Crunch | Facebook.

publicado por Hugo Salvado às 22:00

10
Nov 12

 

 

 

Compreende-se bem a preocupação manifestada recentemente por Pinto Balsemão na conferência “Media e Futuro" 2012 com a “tempestade perfeita” que se vem abatendo sobre os grupos de comunicação social com a crise económica a juntar-se ao choque das inovações tecnológicas e novas tendências de consumo “media”. É de resto perturbador para qualquer espirito democrático a falta de perspectivas e de soluções de viabilidade para uma imprensa verdadeiramente independente e interventiva.
Parece-me no entanto um contra-senso a tese defendida na conferência (de resto em estudo nalguns países europeus) de obrigar os agregadores de conteúdos (a empresa Google, por exemplo) a pagar royalties sobre os conteúdos indexados para pesquisa. Isto quando o objectivo dos meios deveria ser o de maximizar esse mesmo potencial, de modo que as notícias publicadas por si ganhem mais preponderância, e se multipliquem as visitas à sua plataforma, com a consequente valorização das suas receitas publicitárias.
Acontece que o grande sucesso do motor de pesquisa Google está no seu complexo algoritmo, profundamente democrático e transparente, porque exclusivamente indexado à necessidade e proveito do utilizador. De resto estou convencido que a marca sobreviverá bem sem as notícias do Expresso ou os vídeos da SIC. É um péssimo sintoma quando os modelos de negócio confrontados com a decadência pretendem sobreviver de subsídios do Estado… ou à custa do sucesso alheio. Não querem ir ao fundo sozinhos.
Não confundamos as coisas: a praga da pirataria de conteúdos na internet em nada tem a ver com os motores de busca; é antes uma questão legal, cultural, e de pedagogia. Por último, o Dr. Balsemão poderá informar-se no seu departamento de TI como é simples vedar os conteúdos produzidos pelos seus meios à indexação dos motores de busca. Veremos é se isso não é o passo definitivo para o abismo.

 

Imagem: Expresso

publicado por João Távora às 19:57
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19
Mai 12

A ideia de ter um veículo conduzido automática e autonomamente remonta à década de 1930, tendo sido apresentada ao público na Feira Mundial de 1939, ainda que apenas conceptualmente, no âmbito do projecto “Futurama” (de Norman Bel Geddes), que propunha uma automatização total de vias rodoviárias nos EUA, com a ideia de a implementar no final da década de 1950 ou início da de 1960, minimizando assim o problema de congestionamento de trânsito.

Esse futuro nunca veio a acontecer mas, passados mais de 80 anos, parece que a visão profética está definitivamente calendarizada e agendada.
O tema ganhou nova visibilidade recentemente porque a Google já apresentou um mecanismo autónomo de condução, com carta passada pelo estado do Nevada para testes de condução, mas desde há vários anos que há outros players nesse mercado com avanços muito significativos na arte/ciência de conduzir um automóvel com pouco ou nenhum recurso ao ser humano.

Existem duas ideias-base para a condução autónoma:

1) Desenhar algo como um conjunto de linhas nos possíveis percursos que sirvam como um guia visual (um “carril gráfico”) para o dispositivo que conduz o veículo (situação que já é algo comum em grandes armazéns, onde pequenos veículos fazem transporte e arrumação de produtos ou robots motorizados fazem a organização do espaço durante a noite);

2) Criar um conjunto de mecanismos de detecção de objectos (estáticos e em movimento) em tempo real e que permitam ao carro transitar num ambiente não preparado especialmente para o efeito [ver foto], ou seja, na realidade do dia-a-dia.

Esta segunda ideia é a que tem mais aplicabilidade nos nossos dias, dado que não implica adaptações das vias públicas nem ao nível das estradas em si, nem ao nível da sinalização.

Assim, te(re)mos um carro convencional com “algum” equipamento adicional:

  • Várias câmaras de filmar que cobrem os 360º à volta do carro e estudam não só a estrada, como os obstáculos (carros, pessoas, animais e outros objectos), sinalização de trânsito e semáforos;
  • Radares à frente e atrás do carro que monitorizam em permanência objectos que, mesmo estando a distâncias maiores do veículo, possam circular a velocidades altas e/ou estarem a descrever trajectórias de embate (nota: o objectivo do carro não é só conduzir bem, é também evitar acidentes provocados por outros veículos);
  • Um sensor de posição (pode ser GPS ou outra norma) que indica a posição do veículo no mapa;
  • Um LIDAR (sensor de luminosidade que mede distâncias a objectos recorrendo à luz ou a laser), normalmente rotativo, que permite ao carro saber da sua posição face ao meio que o circunda na proximidade;
  • Informação cartográfica que permite ao carro desenhar rotas para se deslocar de um ponto até outro (e não apenas circular sem destino);
  • Software de Inteligência Artificial para gerir todos estes inputs e decidir, em tempo real, quais as decisões a tomar;
  • Autómatos que operam o volante, acelerador, travão e manípulo da caixa de velocidades automática.

 

Recapitulando um pouco, toda esta automatização começa com o inventor da máquina a vapor, James Watt, que inventou e implementou um mecanismo de limitação de velocidade para a “sua” locomotiva, isto em 1788 (curiosamente, só em 1910 é que esta invenção vem a ser usada em automóveis).

É apenas em 1945 que o segundo passo decisivo foi dado por um Engenheiro Mecânico que, farto da condução em estilo “acelera-trava-acelera-trava” do seu advogado e frequente condutor, inventa o sistema de cruise control moderno.

Um pormenor, este inventor era Ralph Teetor, cego. Mas a sua invenção era fiável e em 1958, a Chrysler começou a comercializá-la em alguns modelos dos seu carros.

Todos estes eventos são parte de um perfácio para a história que começa verdadeiramente a ser contada em 1977, quando a empresa japonesa Tsukuba Mechanical Engineering Lab cria o primeiro veículo autónomo e inteligente, capaz de seguir marcações na estrada e viajar a velocidades de 30 Km/h, ainda que não pudesse levar passageiros.

Já no início da dácada de 1980, o professor universitário alemão Ernst Dickmanns torna públicos os trabalhos da sua equipa na University Bundeewehr Munich, os quais já envolviam testes com automóveis a circular a velocidades superiores a 90 Km/h em ruas vazias.

Até 1995, a evolução do trabalho de investigação aí feito permite-lhe preparar um Mercedes que consegue, em estradas públicas, com trânsito e sem recurso a marcações específicas na estrada, viajar desde Munique até Copenhaga fazendo também o regresso, percorrendo assim mais de 1600 Km e atingindo velocidades superiores a 175 Km/h nas auto-estradas alemãs, com menos de 5% da distância a ter assistência do condutor humano.

É este patamar da evolução que estamos hoje a ultrapassar.

A melhor detecção de objectos, texturas e desenhos/figuras no raio de visão permite que algumas das funcionalidades do carro autónomo estejam já disponíveis em veículos em comercialização no mercado (como o estacionamento automático entre dois carros, o cruise control adaptativo que se ajusta à velocidade do carro imediatamente à frente ou o travão automático que não permite o embate em situações de trânsito a baixa velocidade), como, por exemplo, na Volvo, Mercedes, BMW ou Audi.

Em 2010, a Mitsubishi foi mais longe, permitindo test drives não-presenciais a potenciais clientes, com a sua inovadora iniciativa Live Drive, que permitia conduzir um carro a partir de um computador remoto.

 

Mas já desde 2007 que existem carros autónomos com visão de 360º e que apenas precisam que lhes seja transmitida a ordem de arranque e destino da viagem e também desde 2011 que existem testes contínuos em grandes cidades, em hora-de-ponta.

O carro agora apresentado pela Google já anda na estrada há quase 2 anos (e não é apenas um único carro de testes, mas sim uma equipa de sete!) e já percorreu quase 250.000 Km em ruas públicas, com outros carros e peões no campo de visão, necessitando cada vez menos da intervenção humana.

O ponto alto terá sido o passeio dado por Steve Mahan, sentado no lugar do condutor do Google Self-Driving Car, apesar de ser cego. Todos pudemos ver e quase tocar o futuro que se aproxima e que se propõe reduzir drasticamente o número de acidentes e vítimas das estradas de todo o mundo.

 

Só para termos uma perspectiva do que o futuro nos reserva, pensa-se que estes carros serão comuns no ano de 2020.

Prontos para a viagem?

publicado por Hugo Salvado às 22:45

29
Fev 12

O nome até pode ser enganoso... poderia chamar-se "realidade melhorada" (ou "enhanced reality"), mas foi este o termo escolhido para a visão de imagens reais (em tempo real ou não) cujos elementos (pessoas, edifícios, pontos geográficos) são melhorados com informação adicional, sejam textos, som, vídeo, gráficos ou dados GPS, informação esta gerada por computador.

 

 

Ao contrário da realidade virtual, onde as imagens reais são substituidas por cenários gerados por computador, temos agora um interface que sobrepõe informação útil a imagens reais, para quem usar este tipo de plataformas.

 

Os primeiros testes foram simplistas e meramente demonstrativos do que se pode fazer.

 

No caso da HitLab, um desenho em papel serve de "semente" para a geração de gráficos:

 

 

No caso do panfleto da Nissan, a interacção é mais evoluída, pois não só se tem uma superfície onde se aplica a realidade aumentada, mas há pontos de interacção no próprio papel:

 

 

Mas as aplicações da "realidade aumentada" vão muito mais além do que estas demonstrações revelam, felizmente.

Na verdade, a tecnologia é tão nova que ainda não se faz ideia da dimensão do potencial dela.

 

Com a evolução dos ecrãs transparentes e/ou de espessura reduzida, imaginemos apenas o vidro dianteiro da nossa viatura a apresentar as legendas das ruas e dos edifícios por onde passamos... ou, sem aumento de complexidade, o interface GPS ser no próprio vidro dianteiro e não apenas num pequeno ecrã acessório.

 

Ou, no ramo da Medicina, num bloco operatório, todos os dados do paciente, bem como as informações sobre cada órgão, estarem a ser projectados nos óculos da equipa médica, ao invés de estarem em aparelhos fora do raio de visão.

 

Impossível? Longe disso.

 

Um dos players que investiu nesta tecnologia foi o fabricante do "Route 66", um software de GPS mais conhecido nos EUA do que por cá. Pela amostra, já dá para ver o potencial:

 

 

Como é claro, a Google tambem está no mercado e "promete" uns óculos com projecção de realidade aumentada para este ano de 2012, pelo preço de um smartphone.

 

A tecnologia está aí, disponível.

Como habitual, terão maior sucesso os que oferecerem melhor interoperabilidade e qualidade das camadas de informação... aguardamos (im)pacientemente.

 

Prontos para viver o futuro, já hoje?

publicado por Hugo Salvado às 22:45

09
Fev 12

Numa altura em que é dono e senhor de uma das empresas mais valiosas do planeta, Mark Zuckerberg vai aproveitar o hype do Facebook para lançar uma OPV ("Oferta Pública de Venda" ou, em Inglês, IPO = "Initial Public Offering") que pode valorizar a sua empresa entre os 75 e 100 mil milhões de dólares.

 

Surge, imediatamente, a comparação com a Google, cuja oferta em 2004 gerou 1,9 mil milhões de dólares para uma empresa que estava valorizada em 23 mil milhões. As acções da Google subiram, desde essa altura, dos $109.07 para os $609.85 de hoje de manhã, o que corresponde a uma valorização de $500.78, ou 462.36%.

 

Evolução das acções do Google, entre 2004 e 2012

 

 Com este cenário e aliando aos factos que o Facebook lucrou cerca de mil milhões de dólares no ano de 2011 para uma facturação aproximada de 4 mil milhões, parece interessante o investimento.

 

Interessante é, no mínimo.

Mark Zuckerberg, fundador e CEO

Mas... interessante para quem?

 

 

Em primeiro lugar, muitíssimo interessante para Mark Zuckerberg, dono de 28% das acções...

 

Em segundo lugar, para bancos como Morgan Stanley, Chase, JP Morgan, Goldman Sachs, que se estima virão a lucrar uns "meros" 100 milhões de dólares em comissões das operações dos seus clientes.

 

Em terceiro lugar, colaboradores e ex-colaboradores que cederam propriedade intelectual e/ou prestaram serviços ao Facebook em troca de acções da empresa nos últimos 5~8 anos. A esperada valorização imediata fará de alguns milionários.

 

Para o investidor particular, e após as transacções iniciais em que o público em geral terá pouco acesso (e onde está o "dinheiro grosso"), as acções estarão em bolsa como outras.

 

Será, então, o momento ideal para "entrar no jogo"?

Não.


Sendo impossível fazer futurologia, há vários indicadores que dizem que o crescimento exponencial (ou, como dizem os americanos, "em forma de hockey-stick") já passou. O crescimento tenderá a linear, se tanto, com tendência a estagnar.

 

Alguns indicadores:

  • O crescimento de utilizadores do Facebook foi de 69% em 2010 e de apenas 39% em 2011, uma tendência que se espera continue a atenuar;
  • Vários peritos em negócios bolsistas já afirmaram que a avaliação de 100 mil milhões de dólares está bastante acima do valor espectável de bolsa e pressupõe uma valorização a dois anos e com os níveis de crescimento de 2010 e 2011 como padrão;
  • O exemplo dado pela Groupon, onde mais de 20% dos investidores que compraram no primeiro dia, acabaram por vender as suas acções abaixo do preço que tinham comprado;
  • Dado o carácter social e multimédia da plataforma, é provável que o hype do Facebook seja de duração mais curta que o do Twitter, que se mantém fiel ao seu modelo inicial (o Facebook terá de se adaptar a novas necessidades dos utilizadores - o Timeline, por exemplo, tem mais utilizadores descontentes que satisfeitos com o upgrade - e existirá rapidamente a consciência de que muitos dos amigos que os utilizadores têm na plataforma, não são verdadeiramente amigos nem sequer têm interesse, bem como que o valor social da plataforma, tão publicitado por Mark Zuckerberg, não é assim tão alto nem eterno);
  • Dado ser uma plataforma "viciante", tem conotações altamente negativas em meios laborais, onde pessoas "perdem" tempo e se desligam dos seus objectivos, tanto profissionais quanto pessoais, para viverem uma vida superficial, etérea e virtual, ao contrário de plataformas que têm um lugar e impacto real na vida de quem as usa, nomeadamente o LinkedIn;
  • Várias plataformas, como o Zynga (que criou o "FarmVille" e o "Mafia Wars") ou o Foursquare (que está a conseguir crescer, apesar da força do "Facebook Places"), estão a tentar "cortar laços" com o Facebook (em termos de interoperabilidade e presença embebida na plataforma), dado o seu valor intrínseco e real;
  • Mark Zuckerberg é um rapaz de 27 anos com uma ideia excelente e uma boa equipa... mas não está ao nível de um Bill Gates ou de um Steve Jobs, que souberam viver e sobreviver em conjunturas favoráveis e negativas; além de que as empresas destes, ofereciam e oferecem bens tangíveis.

Resumindo numa frase o perigoso que é o investimento, diriamos:

"Investir no Facebook é misturar negócios com prazer!"

 

Nota: na notação americana, não existe a designação de "mil milhões" mas sim de "um bilião" (1 x 10^9 = 1,000,000,000); na notação europeia, a designação de "um bilião" corresponde a "um milhão de milhões" (1 x 10^12 = 1,000,000,000,000).

 

Fontes: C-net | Forbes | Motley Fool

publicado por Hugo Salvado às 11:30

01
Fev 12

De hoje a um mês, no dia 1 de Março, a Google (enquanto empresa) vai substituir 60 clausulas da sua política de uso de serviços e privacidade por apenas 1.

 

Como é que isso é possível?

Vamos ver se é possível explicar.

 

 

Resumindo numa frase, sempre que um utilizador estiver com login feito, estará a ter o seu comportamento monitorizado... esteja no Google, Gmail, YouTube, Picasa ou outro site qualquer que seja da Google e/ou esteja ligado ao Google Analytics (sistema/ferramenta de análise de comportamento dos utilizadores na web - com métricas e reports detalhados para quem o utiliza).

 

O processo consiste em unificar as políticas (tornando-as uma única e transversal) em todos os sites da Google, ao contrário do que acontecia até aqui, onde cada plataforma tinha a sua política de uso e privacidade.

 

Diz a Google que esta alteração visa a optimização da experiência do utilizador, criando ligagões e apresentando anúncios sempre mais correlacionados com os interesses e necessidades de quem "navega". As garantias dadas são:

  • Para quem não fizer login, o uso da pesquisa, do Gmail, YouTube e outros produtos e plataformas Google mantém-se possível, mas sem criação de métricas indexadas a um utilizador específico;
  • A Google não está a fazer nada de novo, não está a recolher informação que já não estivesse a ser recolhida; está a consolidar e a estudar de um novo modo toda a informação que já obtinha do utilizador pelo uso das suas plataformas (para os mais puristas, há sempre a oportunidade de criar contas diferentes para Gmail, YouTube, etc.);
  • O objectivo é simplificar; o Google era "apenas" um mecanismo de pesquisa em 1998 e hoje, 14 anos depois, contém uma vasta gama de produtos que obrigou a lista de políticas de privacidade a crescer até 60;
  • Todos os utilizadores de produtos/plataformas Google podem, no processo de cancelamento de uma conta, solicitar que todos os seus dados e informação pessoal sejam apagados.

 

A situação está a criar tanta celeuma que a Google "teve" de escrever uma carta ao Congresso dos EUA a explicar-se [ver conteúdo aqui] e a criar um minisite em formato de blogue com esclarecimentos [ver este link].

 

Estes assuntos são levados muito a sério pela Google.

Todos os conteúdos continuam a ser privados e, no que diz respeito ao uso feito pela Google, tudo é passível de ser editado, todas as permissões podem ser customizadas [ver este artigo detalhado da Cnet].

 

E essa é a maior garantia que um provider pode dar ao seu cliente.

 

 

Fontes: Google | Cnet | Time | Washington Post

publicado por Hugo Salvado às 00:30

17
Jan 12

Decorre, nos tribunais americanos, um gigantesco processo que se intitula de "S.O.P.A. - Stop Online Piracy Act", ou seja um "acto para parar a pirataria online".

Dada a sua dimensão, alcance e objectivos, faz sentido a analogia a um iceberg.

Acima da tona da água, é visível uma acção para proteger os artistas e seus conteúdos, bem como a tentativa de erradicar todos os comportamentos e acções que sejam passíveis de violar as leis de direitos de autores.

Mas, como se de um iceberg se tratasse, a esmagadora maioria do processo não está à tona, mas submersa em interesses e motivações que, em várias vertentes, pouco parecem ter a ver com o que deveria ser uma legislação deste tipo.

As primeiras questões postas pelo utilizador da Internet seriam:
"Mas vai mudar alguma coisa? O que é que isso me afecta?"

A verdade é que, caso o "SOPA" passe (seja aprovado), todos os conteúdos que são colocados online terão um novo enquadramento de direitos de autor, dado que a entidade, ou melhor, o site que os publica fica imediatamente sujeito a uma catalogação e classificação que o pode, neste enquadramento, colocar numa lista negra.

Esta lista negra conterá, com toda a certeza, os sites de partilha de ficheiros, os sites de apoio a sistemas de peer-to-peer (ou P2P, plataformas sucessoras do Napster, como o µTorrent) e, adicionalmente, todos os que contenham conteúdos sujeitos a copyright em que as questões de licenciamento não estejam absolutamente regularizadas ou claras.

Um blogue ou um site que tenha, por exemplo, uma foto em que apareça algum conteúdo sujeito a copyright é passível de ser incluído nesta lista negra (para todos os que publicam fotos no "seu" Facebook ou que, de uma forma amadora, escrevem artigos em blogues com recurso a fotos disponibilizadas online, esta lei terá um impacto real). 

 

Mais do que isso, os mecanismos de busca e todos os tipos de sites noticiosos ou de conteúdo oficial ficam proibidos de terem links apontados para sites e endereços IP que estejam na lista.

A expressão livre fica, até na Internet, sujeita à censura.
Para quem, como nós, está fora dos EUA, a frase torna-se ainda mais pesada, porque a sujeição é à lei e à censura americana.

Por trás deste "SOPA/PIPA" (onde "P.I.P.A. - Protect IP Act" se refere a uma proposta de lei complementar dentro do mesmo âmbito) estão a MPAA (Motion Picture Association of America), a RIAA (Recording Industry Association of America), e a Câmara de Comércio dos EUA (U.S. Chamber of Commerce)... ou seja, a indústria cinematográfica, a indústria fonográfica e a representação do comércio no Governo americano.

Do outro lado está o universal grito de e pela liberdade, escrito e vociferado bem alto por milhões de pessoas (anónimos e famosos) e também por entidades e empresas como o Google, Wikipedia, Facebook, Twitter, Tumblr ou a Reddit.

Vários sites estarão amanhã offline, nomeadamente a Wikipedia, em protesto contra o que consideram poder vir a ser o dia mais negro da expressão livre... a convocatória para uma "Quarta-Feira Negra na Internet" está feita, embora as obrigações legais e contratuais de prestação de serviços impeçam aparentemente que o Google e outros grandes players opositores venham a participar neste "apagão".

O fundador da Wikipedia diz: "Isto vai ser um 'uau!' e espero que na quarta-feira a Wikipedia ajude a sobrecarregar os telefones em Washington até que derretam. Digam a toda a gente que conhecem o que se passa!"

Quem também já se juntou a este movimento foi a Mozilla (empresa que faz o browser "Firefox") e a Wordpress (serviço que permite a criação gratuita e simplificada de sites e blogues).

A posição da Casa Branca é, como se esperava, cautelosa, com comentários como: "Qualquer esforço para combater a pirataria online deve ter mecanismos de defesa contra a censura e proteger as actividades que estão dentro da lei. Adicionalmente, não deve inibir a inovação feita por quaisquer entidades, sejam estas grandes ou pequenas."

Como nos EUA as actividades de lobby são legais e feitas "às claras" (ser lobbyista é uma profissão reconhecida pela lei), é preocupamente para todos os que se opõem ao "SOPA/PIPA" que os comités que as votam e podem levar ao Congresso sejam visível e maioritariamente a favor.

Nunca como hoje, a frase do escritor/compositor/intérprete Robert Zimmerman, a.k.a. Bob Dylan, foi tão verdade:
"The times, they are a-changin'!"


Fontes: CNET | ABC News

publicado por Hugo Salvado às 18:15

03
Dez 11

 

Henrique de Castro considera que as grandes empresas portuguesas – financeiras, transportes, telecomunicações e serviços – não estão a usar as ferramentas que a internet proporciona ao nível ao nível dos outos países. “ainda consideram o marketing como custo e apostam muito no off-line. Alguns gestores não perceberam que o marketing está a evoluir para ser um custo variável através da internet e dos motores de pesquiza (search). Agora a estratégia não é atingir as massas, mas sim cada uma das pessoas. Isto é uma mudança estrutural no sector publicitário”, diz o executivo português.

 

Henrique de Castro presidente da Google para Media, mobilidade e plataformas em entrevista a João Ramos do Expresso

publicado por João Távora às 16:34

13
Set 11

O que faria o Google? não é exatamente sobre o conhecido motor de busca: escrito pelo jornalista, blogger, professor universitário e consultor de media Jeff Jarvis, este livro é uma dissertação sobre mundo dos novos media e sobre a forma como a Internet está a afetar o mercado e as indústrias. Os pontos que o autor destaca como pilares do sucesso do Google (termo utilizado quase como uma metáfora não inocente de internet) são a simplicidade, gratuidade, criatividade e foco no utilizador. Ou seja, o livro não traz grandes novidades para os mais atentos seguidores da Web 2.0 e novos media, mas é certamente uma boa introdução aos desafios que as novas tecnologias de informação hoje convocam os empreendedores. Se copiar estratégias aplicadas para outras realidades quase nunca dá resultado, meditar nelas é certamente um estímulo para a inventividade.

 

Imagem daqui

publicado por João Távora às 10:23

15
Fev 11

 

Chama-se TouchPad, o aparelho da HP, o maior fabricante de computadores do mundo, que assim entra para a corrida dos Tablets ostentando para além dum processador de 1,2Ghz, capacidade de armazenamento de 16 ou 32GB, câmara frontal, resolução de 1024 por 768 pixels, ligação USB e possibilidade de conectividade 3G, um ecrã de e 9,7 polegadas tal como o iPad. Mas aquilo que verdadeiramente surpreende é a opção da marca por um sistema operativo próprio, o WebOS e que irá concorrer com os já implantados da Apple e do Google. Os programadores, a quem cumprirá a tarefa de compatibilizar tecnologicamente as aplicações criadas, esfregam as mãos pela proliferação de sistemas em despique!
Por seu turno a Nokia, parece querer recuperar tempo e quota perdida no mercado da internet móvel anunciando uma aliança com o gigante da Microsoft. Uma aposta em grande, que peca por tardia.

publicado por João Távora às 16:06

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Gostamos da palavra propaganda, termo velhinho que, simplificando, antigamente definia sem complexos o conjunto de técnicas para publicitar uma ideia. Com o tempo, o termo muito utilizado pelos políticos numa conturbada fase do Século XX resistiu mal ao desgaste pelo sentido que assim se lhe deturpou: como se, realçar as virtudes próprias ou dum objecto, não fosse ambição e atitude legítimas, praticada por qualquer ser humano psicologicamente equilibrado e socialmente integrado. Ler mais
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