urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda propaganda Um blogue sobre comunicação inteligente LiveJournal / SAPO Blogs propaganda 2020-02-27T20:14:32Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:64026 João Távora 2020-02-27T17:44:00 Como destruir uma marca 2020-02-27T17:48:19Z 2020-02-27T20:14:32Z <p class="sapomedia images"><img class="" style="width: 420px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="ctt.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B541846f5/21701026_l1mJo.png" alt="ctt.png" width="420" height="237" /></p> <p>O anunciado <a href="https://eco.sapo.pt/2020/02/17/logotipo-comercial-dos-ctt-vai-mudar-perde-o-cavalo-mas-esta-mais-colorido/" target="_blank" rel="noopener">novo “rebranding”</a> da marca CTT em que desaparece o clássico cavalo, cinco anos depois de ter despendido milhares de euros numa outra ´parece-me uma aberração. É exemplo acabado da vertigem parola com que em Portugal, quando não se sabe mais o que fazer, se finge começar tudo do zero para parecer moderno e eficiente ou associar a ilusão a uma determinada “geração espontânea”. Acontece que uma identidade é essencialmente uma construção que requer tempo, e é a antigu<span class="text_exposed_show">idade que confere confiança (o valor mais precioso), seja às instituições ou às empresas. Uma marca com quinhentos anos só tem a ganhar em exibir um símbolo que remeta para a sua História. Este aparente delírio, que irá custar uma pipa de massa em montras, vinis e estacionário, é justificado pela gestão dos CTT com a pretensão de que deixando cair o cavalinho, o público percepcionará a diversificação de serviços em que a distribuição postal perde importância. Enganam-se: a empresa vai gastar uma pipa de massa apenas para prescindir duma mensagem de confiança. De resto não me venham dizer que o problema está na privatização do negócio: é mesmo fruto da endémica saloiice do país, que de refundação em refundação, a única coisa que tem conseguido preservar é a mediocridade.</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:63994 João Távora 2019-09-04T15:29:00 Ler jornais 2019-09-04T14:30:18Z 2019-09-04T14:30:18Z <p>Às vezes faz-me mal ao figado, mas o facto é que tenho uma paixão por jornais. Antigamente era normal alguém escolher comprar no quiosque um jornal a cada dia em função de um tema de fundo ou de um cronista da sua preferência (eu ainda faço isso às vezes). Hoje a leitura de um jornal em rede carece uma assinatura por um largo período - não é muito prático nem atractiva a subscrição avulsa à unidade. Como é óbvio será preciso um acrisolado amor aos jornais e bastante poder de compra para assinar mais do que um título e a escolha nunca será fácil. Se os jornais só se conseguirem financiar através das subscrições, parece-me que ficaremos todos a perder, cada grupo de leitores acantonado no "gueto" que escolheu. Valem-nos os horizontes que ainda nos abrem alguns blogues e as redes sociais.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:63568 João Távora 2019-06-26T16:44:00 Algumas notas sobre a temática da comunicação e as eleições legislativas de 6 de Outubro 2019-06-26T16:00:24Z 2019-06-26T16:13:38Z <p class="sapomedia images"><img style="width: 563px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="eleições_2019.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be218cd77/21492175_aMUPE.jpeg" alt="eleições_2019.jpg" width="563" height="336" /></p> <p> </p> <p>Dentro de três meses vamos ter eleições legislativas e por isso são já muitos os militantes partidários nervosos com a hipótese duma redentora estratégia de comunicação. Desse modo, não se coíbem de dar sentenças, quase nunca sobre as propostas e ideias, mas quase sempre sobre os meios por eles considerados aconselháveis para chamar a atenção do povo para a bondade da sua sigla e do seu líder. Se aceitamos como verdadeiro o adágio popular “de médico e de louco todos temos um pouco”, o que diríamos se a profissão fosse o Marketing e a Comunicação... <br />Das opiniões que venho escutando, há uma com a qual estou plenamente de acordo: as arruadas e as incursões em feiras, em que o contacto directo dos protagonistas com a população serve para as câmaras e microfones registarem uns <em>sound bites</em> e uns <em>faits divers</em>, já deram o que tinham a dar. Afinal, quase sempre descambam em parangonas propícias a serem parodiadas pelos humoristas de serviço. Outra teoria que circula é a de que se deviam acabar com os <em>outdoors</em>, porque se trata de poluição visual injustificada, facilmente substituíveis pelas plataformas digitais  já massificadas. Neste caso não concordo, pois há que reconhecer que a utilização de cartazes se vem ajustando quantitativamente e qualitativamente aos novos tempos. Quem não se lembra das paredes das cidades repletas de camadas sobrepostas de cartazes semi-rasgados, das árvores e candeeiros cheios de pendões que mais pareciam sacos de plástico que, passados meses das eleições, já degradados pelas intempéries, se eternizavam deprimentes na paisagem urbana. Hoje, a propaganda de rua ou publicidade de exterior, não só vem caindo em desuso de forma natural, como se encontra regulada e delimitada em espaços apropriados, e nesse sentido a sua utilização ainda produz alguma eficácia, nem que seja se considerarmos os estratos da população mais envelhecidos que não acede às plataformas digitais. Tanto mais que é um dado empírico para qualquer profissional de que a comunicação nas redes sociais para ter um alcance massivo, requer mais do que fantasiosos algoritmos induzidos por pretensos “<em>experts</em>”: exige investimento financeiro que propague as mensagens partidárias com eficácia (sendo elas adequadas e bem definidos os públicos-alvo). Acontece que em Portugal uma lei eleitoral anacrónica proíbe a utilização profissional das redes sociais, tida como “publicidade comercial” (porque não se classifica do mesmo modo a utilização de <em>outdoors</em> produzidos e disseminados por empresas especializadas?), fazendo com que seja cada vez mais difícil passar as propostas políticas concorrentes para os seus eleitorados, principalmente às camadas mais jovens, que como é sabido não frequentam os meios de comunicação tradicionais e desse modo vivem cada vez mais divorciadas da realidade à sua volta. Não sendo possível a transição da velha propaganda para o modo digital por via desta lei absurda (repare-se na completa irrelevância em que se tornaram os velhinhos Tempos de Antena nas rádios e televisões generalistas), corre-se o risco de não se obter uma percepção plena do acto eleitoral em perspectiva, como era auto-imposto pelos métodos “poluentes” usados no século passado, muito menos quais as ideias em discussão, com consequências inevitáveis na abstenção, especialmente jovem.<br />Para finalizar, umas breves palavras sobre a mensagem política. Sem um conteúdo claro, atractivo e coerente, de nada servem as ferramentas e a sofisticação dos meios disponíveis. Para o seu sucesso, as estruturas partidárias deveriam recorrer à colaboração de profissionais experimentados, que com um olhar exterior e desapaixonado estão habilitados a impedir demasiados tiros nos pés e a mitigar as consequências dos inevitáveis disparates que a excitação da contenda favorece.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:63257 João Távora 2019-03-07T11:10:00 Fake News 2019-03-07T11:30:29Z 2019-03-08T09:28:58Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Fake News.jpg" src="https://c3.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bce1797af/21376342_zJsCU.jpeg" alt="Fake News.jpg" width="500" height="333" /></p> <p>Não sei até que ponto a recente mania das "Fake News" corresponde à do demonizado "boato" que nos tempos do PREC os revolucionários combatiam com o denodo de um censor soviético. Também não sei onde nasciam esses boatos, se nos gabinetes dos políticos, nas messes dos oficiais do MFA, ou na praça pública, fervilhante daquilo a que hoje se chamam “activistas”, imbuídos de sua natural vertigem sectária. Hoje como sempre, o controlo da "revolução" passa pelo domínio da narrativa, e essa pretensão é o perigo que mais devemos temer. A diabolização das redes sociais e dos fenómenos daí emergentes insere-se nesse âmbito, e revela a velha tentação censória do “discurso” dominante, das “elites” instaladas. A pressão exercida por elas, aliás, vem dando resultados, e nota-se bem por estes dias uma mudança no algoritmo das grandes plataformas em rede que ultimamente vem favorecendo os conteúdos dos media tradicionais (no Facebook essa experiência é claríssima). </p> <p>Acontece que “notícias falsas” sempre existiram e existirão. As fronteiras da propaganda com o exagero ou a mentira sempre foram difusas – a propaganda é uma arma de guerra, um inestimável instrumento da luta política. O actual incómodo com as "Fake News" está na sua democratização e na perda do seu controlo, digamos, “institucional”: com o advento das redes sociais e da facilidade de auto-edição (sem intermediação), toda a gente pode ser um agente criador ou disseminador de aldrabices ou, pior ainda, de meias-verdades. Mas não nos esqueçamos nunca que a isso, quer se goste quer não, corresponde a um acréscimo de liberdade. A liberdade de, por exemplo através dum blogue como este, se conseguir confrontar os poderes instituídos (onde se inclui o jornalismo) com interpretações alternativas aos factos em discussão. O meu ponto é este: no meio desta confusão de narizes das redes sociais a última coisa que devemos recear é a liberdade. Só com a liberdade o equilíbrio encontrará o seu caminho.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:63053 João Távora 2019-01-05T16:08:00 Sinais dos tempos... 2019-01-05T16:11:59Z 2019-02-20T18:18:02Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="jornais.jpg" src="https://c5.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bad184ff7/21305620_SOlvz.jpeg" alt="jornais.jpg" width="500" height="331" /></p> <p>Numa pacífica manhã de sábado hoje passada com rituais nem sempre possíveis, logo depois do pequeno-almoço (em que ao fim-de-semana caprichosamente faço questão de comer torradas com manteiga) fui notificado no meu telemóvel da publicação da crónica do Alberto Gonçalves que li com gosto e divertido no telemóvel, já sentado na sala com boa música por companhia. Após me inteirar e responder a algumas mensagens no WhatsApp (aplicação culpada da vitória de Bolsonaro, dizem), pensei que estava na hora de ir comprar o Expresso, mas fiquei preso pelo artigo sobre o "Mata Sete", aquele hediondo crime ocorrido em 1987, no Observador. A manhã corria plácida, e ainda com o telemóvel na mão e o David Sylvian a tocar deliciosamente no gira-discos, inebriado pelo sol que entrava pela varanda, fui alertado por uma notificação dos e-mails do telefone da mensagem do "Macroscópio" do José Manuel Fernandes que li absorto, navegando por algumas ligações. Serviço público. Foi então que me lembrei de que ainda não tinha comprado o Expresso e que a tabacaria estava a fechar. Foi com algum esforço que contrariei o meu bem estar e fui à rua comprá-lo, agora que vem num inútil saco de papel. Resumindo, está minha tradição com décadas está por um fio. O Pedro Santos Guerreiro é um chato (para dizer o mínimo); e tirando o Pedro Mexia, os Henriques (Monteiro e Raposo) e a desconcertante Ana Cristina Pereira Leonardo, o tom geral do semanário é de uma snobismo bafiento - "nós somos os maiores e a virtuosa ordem do mundo desmorona-se à nossa volta por culpa da internet e das redes sociais". Um conservador é um conservador, mas tem limites. E começo a sentir que este hábito se tornou num imposto à oligarquia.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:62836 João Távora 2018-10-08T18:49:00 Eleições e comunicação 2018-10-08T17:50:09Z 2018-10-08T20:29:42Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="jair-bolsonaro.jpg" src="https://c6.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B27174f64/21196375_QO0dZ.jpeg" alt="jair-bolsonaro.jpg" width="500" height="359" /></p> <p>É público como Bolsonaro foi segregado pelos media tradicionais e desprezado pelos politólogos, peritos e de mais elites que tomam conta dos media brasileiros, de como os seus opositores, apoiados nas televisões e jornais de referência, acabaram por cair na asneira de transformar as eleições presidenciais no Brasil num plebiscito ao personagem que de tanta depreciação acabou por alcançar 47% do eleitorado à primeira volta. Foi assim que Trump conquistou a Casa Branca. Interessa-me particularmente este assunto na perspectiva do fenómeno comunicacional de que é fruto, o da perda abismal de influência da comunicação social perante a ascensão das libertárias redes sociais, qual concurso de “soundbites” imediatistas e emocionais que democraticamente todos se arrogam difundir, partilhar e ampliar numa caótica e atomizada rede de influenciadores oficiosos e sem escrutínio. É assim que a comunicação política hoje exige nova abordagem, diferentes estratégias, ferramentas e actores profissionais, porque a ampliação ou silenciamento da mensagem já não depende do controlo dos tradicionais “mediadores” e ela se vem tornando formalmente cada vez mais democrática – literalmente entregue às mãos do povo. O que me preocupa este fenómeno é como sendo democrático pode potenciar a intolerância: pela necessidade de simplificação das ideias e torna-las emotivas para concorrer nas redes sociais, o discurso perde densidade, racionalidade e sofisticação que é o espaço por excelência para os consensos e para a tolerância que exige a boa governança do bem comum numa sociedade liberal. </p> <p>Quem me conhece sabe como o meu pensamento político nunca foi <em>mainstream</em> e de como desde a génese deste fenómeno da auto-edição nascido com os blogs no apogeu da Internet não deixei de aproveitar o movimento para difundir ideias pouco populares às agendas do jornalismo “de referência” que sempre gostou de servir a oligarquia e alimentar os seus populismos. Mas tal não impede de admitir que devemos suspeitar deste admirável mundo novo, de como ele nos exige prudência, repensar fórmulas de contrapesos que nos defendam dos aventureirismos autoritários emergentes de maiorias inorgânicas e indomáveis bem manipuladas. Os revolucionários (todos, republicanos ou socialistas) sabem bem do que estou a falar.</p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:62583 João Távora 2018-10-06T19:59:00 A fractura exposta por Cristiano Ronaldo 2018-10-06T19:00:15Z 2018-10-07T12:48:54Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="CR7.jpg" src="https://c2.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3c17b155/21194224_wld1z.jpeg" alt="CR7.jpg" width="500" height="281" /></p> <p>Há um elefante gigantesco e malcheiroso no meio da sala para o qual a opinião publicada continuar a evitar olhar: são os prejuízos reputacionais que o caso Ronaldo infringe nas entidades que dele se vêm servindo para se projectar há mais de uma década. O que é facto é que independentemente da possibilidade de condenação ou não do craque por violação de Kathryn Mayorga, o caso descrito pelo Der Spiegel é demasiado feio para o país que durante mais de uma década da sua fama tanto se promoveu dele sair incólume. Isso ajuda a explicar as declarações complacentes (a raiar a irresponsabilidade) de Marcelo Rebelo de Sousa e o silêncio daqueles que viam no “melhor do mundo” o representante duma nova geração para competir com Eusébio no Panteão do heroísmo nacional e internacional - lembrem-se do jovem indonésio Martunis sobrevivente ao tsunami e de outros milhares para quem o ídolo se arrisca a desfazer rapidamente em barro enlameado. </p> <p>Independentemente do modo como Cristiano Ronaldo se saia deste imbróglio de dimensão global, nele já se vislumbram perdedores evidentes e um deles é o patriotismo pacóvio. E pelo andar da carruagem receio que o aeroporto da Madeira ainda venha a mudar de nome e o museu do Sporting tenha de ser reconfigurado. É assim a vida hipermediatizada destes nossos ingratos tempos: é chato mas o Eusébio viveu noutra época e a idolatria nos nossos dias dá inevitavelmente nisto.</p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:62318 João Távora 2018-03-23T08:54:00 O Facebook outra vez 2018-03-23T09:04:06Z 2018-03-24T18:25:09Z <p>A campanha eleitoral de Obama em 2012, para ganhar a Mitt Romney, utilizou os dados disponíveis pelo FB para identificar 15 milhões de eleitores susceptíveis de votar no candidato. Na altura, bem nos lembramos das loas tecidas às democráticas redes sociais pelos mesmos que hoje rasgam as vestes indignados com o "lapso" ocorrido com os metadados que “permitiram a manipulação” dos eleitores a favor de Trump com anúncios "direccionados".</p> <p>A vantagem da utilização do Facebook em termos comunicacionais é permitir-nos com recursos financeiros razoáveis direccionar a comunicação a um público-alvo determinado, do ponto de vista etário, geográfico e para um certo perfil de interesses. Por exemplo, em tese, o seu algoritmo permite à Juventude Monárquica de Lisboa direccionar as suas publicações para um público “amigável” e circunscreve-las à região da Grande Lisboa e um grupo etário definido com uma margem de erro aceitável. <a href="https://observador.pt/2018/03/22/facebook-5-medidas-e-mais-uma-para-proteger-a-sua-conta-e-que-pode-fazer-ja/" target="_blank" rel="noopener">Considerar isto um problema ou uma a ameaça à privacidade das pessoas é uma enorme saloiice, uma paranóia quase infantil.</a><br /> É evidente que quanto maior forem as empresas mais elas deverão ser escrutinadas, e o Facebook deve ser obrigado a um especial cuidado com a informação que recolhe dos seus utilizadores e a sua utilização deve ser devidamente regulada. Em Portugal, por exemplo, a publicidade nas redes socias e nos media em geral é proibida a partir de 90 dias das eleições.  </p> <p>A quem serve o alarmismo criado à volta da questão? Pela minha parte não vejo qualquer problema com o tratamento do meu rasto na internet para que eu aceda com mais facilidade a determinados conteúdos ou produtos. Dá ideia que por vontade desta oligarquia puritana voltávamos aos anos 70, em que a propaganda eleitoral se cingia aos dois canais de televisão oficiais e umas românticas noitadas a colar cartazes nas paredes. A quem interessa um poder central a definir o que são notícias verdadeiras ou falsas?</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:62191 João Távora 2018-03-19T17:26:00 Elevar-se para olhar mais longe - uma reflexão sobre a política de comunicação do Sporting 2018-03-19T17:26:56Z 2018-03-20T09:35:19Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="reileao_1-750x380.jpg" src="https://c4.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7a12d4d1/20937210_Y4lee.jpeg" alt="reileao_1-750x380.jpg" width="500" height="253" /></p> <p>Que a presidência de Bruno Carvalho tem reforçado a militância dos adeptos do Sporting isso parece-me um dado que confirmado pelas assistências aos jogos nos últimos anos. Assim como o ruído das claques que durante a última década acedeu às redes de “media social”, que tomou como um prolongamento dos rituais de apoio ao clube nas bancadas – os sportinguistas “fanáticos” andam mais motivados por estes dias, e isso é positivo, digo-o sem qualquer desdém: são eles (nós) que preenchem os lugares no estádio, pagam as quotas, contribuem para a Missão Pavilhão ou outra, compram <em>merchandising </em>para oferecer aos sobrinhos ou afilhados, e alguns ainda compram o Jornal do Sporting no quiosque e, imaginem, participam na vida associativa do clube.</p> <p>O problema quanto a mim é que o Sporting não é sustentável só com este núcleo duro, chamemos-lhe assim, tem de se elevar para olhar mais longe e reconquistar as margens e periferias, para ser uma marca atractiva num universo mais lato. Acontece que, tão importante quanto os militantes, é o universo de simpatizantes mais ou menos desprendido que não assina canais pagos de desporto e só vão ao futebol muito ocasionalmente, mas que socialmente funciona como que um “farol leonino”: na família ou no trabalho assume a simpatia pelo seu clube mas sem grande compromisso, seja porque o desporto tem um lugar secundário na sua hierarquia de interesses, ou porque não está para se chatear com mais polémicas, intrigas e aborrecimento… e porque não tem grandes expectativas que o clube lhe devolva um pouco de entusiasmo que despendeu algures no passado sendo campeão. É com este última grupo que eu me preocupo mais: para além dos meus filhos eu “eduquei” os meus muitos sobrinhos para serem resilientes sportinguistas. Levei-os ocasionalmente ao futebol, ofereci-lhes o Cachecol que hoje ainda guardam, mas com os anos e anos seguidos de frustrações foram-se desligando. Aqui chegados, queixam-se que o Sporting, não se sagrando campeão, praticamente só dá nas vistas com as polémicas estúpidas que saem nas parangonas dos jornais e que são peroradas nas TVs.<br /> É por tudo isto que estou convicto que o Sporting para sobreviver a longo prazo tem de aumentar e atracção dos simpatizantes mais ou menos desprendidos. É evidente que a conquista do título é a fórmula mais eficaz para tal desiderato. Mas há outras, como por exemplo uma comunicação amigável que os seja capaz de cativar, que não esteja fixada nos escândalos e guerrilhas mais ou menos artificiais que os polemistas, numa violência inaudita berram insanamente na televisão. O futebol não pode expulsar da sua órbitra as pessoas razoáveis, que não o vivem como se essa actividade fora uma guerra sem quartel em que os grunhos são preponderantes.</p> <p>Desconfio que por estes dias a forte militância sportinguista esteja a mascarar este divórcio que se adivinha crescente e exponencial das pessoas normais com o futebol. Na minha modesta opinião, o Sporting tem de, urgentemente, elevar-se da lama comunicacional em que é tentado chafurdar e acautelar uma política que não afaste definitivamente da sua órbita os simples simpatizantes. Ou começar a pensar nisso, pelo menos.</p> <p> </p> <p>Publicado originalmente <a href="http://sporting.blogs.sapo.pt/elevar-se-para-olhar-mais-longe-uma-3848170" target="_blank" rel="noopener">aqui</a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:61848 João Távora 2017-11-30T10:19:00 Comunicar 2017-11-30T10:20:40Z 2017-11-30T10:20:40Z <p>"Informar não é comunicar e comunicar é negociar, ou melhor, coabitar" <br /><br />Papa Francisco em "Rencontres avec Dominique Wolton. Un dialogue inédit - Politique et Societé"</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:61569 João Távora 2017-05-16T12:49:00 Alienação e pós-verdade 2017-05-16T11:49:36Z 2017-05-16T11:49:36Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="pós-verdade.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B62024e4f/20432302_Qon4k.jpeg" alt="pós-verdade.jpg" width="500" height="424" /></p> <p> Um sinal de alerta foi como senti quando há uns dias o meu filho de dez anos me manifestou o seu espanto e incredulidade por causa de umas imagens impressionantes que passavam no telejornal da tomada duma posição ao DAESH pelo exército iraquiano – “mas afinal existem guerras de verdade?” Fiquei com a sensação de que para o miúdo as guerras eram coisas do passado ou então entretenimento para os videojogos. Acontece que hoje em dia, por mais que os pais tentem convocar o Mundo para a mesa de jantar, os miúdos crescem dentro de um aquário mediático, a ver desenhos-animados em canais temáticos, a seguir os seus ídolos do Youtube a dizerem umas banalidades a propósito dos temas da moda ("youtuber" é o termo que define as estrelas que aglutinam multidões de seguidores nesta plataforma de vídeos auto-editados) e a brincar com jogos de consola, completamente a leste do mundo real. E não me parece que estejamos a poupar as crianças à crua violência: ela tornou-se um “bem de consumo” extremamente realista e brutal na forma dos jogos virtuais e nas séries e filmes de TV. É nesse sentido que sou levado a intuir que, com tanta tecnologia, além de mais preguiçosas, as novas gerações ficam a perder mundividência. A minha geração quando era criança, condicionada a dois canais de televisão e a pouco mais de meia hora por dia de programas infantis, era pedagogicamente obrigada a espreitar para o mundo dos adultos - certamente não muito atractivo. Além dos noticiários que espreitávamos mais ou menos involuntariamente, à segunda-feira levávamos com teatro clássico, à quarta havia “Noite de Cinema”, e em desespero, num domingo chuvoso até víamos o “TV Rural” enquanto esperávamos pela transmissão de um jogo de rugby ou duma corrida de Fórmula 1, já para não falarmos dos programas sobre a natureza e a bicharada. Mas principalmente, à minha geração era-lhe concedido o privilégio de longos momentos de “tédio”, que nos obrigava a fizermos acontecer alguma coisa, e nos dava muito espaço para exercitar a imaginação e para os livros.</p> <p>Se é verdade que esta nossa era dos “media sociais” e dos canais temáticos e segmentados permite uma oferta muito alargada de informação e cultura (os blogs disso são exemplo), o outro lado da moeda é terrível. O completo alheamento da realidade. Sei por experiência própria como é difícil impingir aos jovens as preocupações e a consciência dos problemas e desafios complexos que grassam no mundo para lá do <em>soundbite</em> difundido pelas redes sociais. Nesse sentido desconfio que as novas gerações estão mais desprotegidas porque ausentes no menu dos “factos” que lhes interessam e das “verdades” que escolhem a cada momento consumir. Porque “a quem dorme, dorme-lhe a fazenda”.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:61017 João Távora 2017-01-09T11:27:00 Redes Sociais: ainda bem! 2017-01-09T11:29:36Z 2017-01-09T11:29:36Z <p><em>Quando o papel se tornou mais barato, por volta de 1860, apareceram por toda a parte milhares de jornais. Em Portugal também, e isso ao princípio foi um escândalo de grandes proporções. Em Lisboa e no Porto, havia dezenas. Mas cada distrito e quase cada concelho tinha um, ou por iniciativa local ou pago pelos partidos políticos. Pior ainda, para se atrair o público da pequena imprensa da província, os jornais de grande circulação passaram a contratar correspondentes nos mais remotos cantos do país. Milhares de pessoas enchiam diariamente toneladas de papel. De longe em longe, com boa prosa e notícias fiáveis; diariamente, com calúnias, impropérios e demagogia, em prosa de taberna. Como um todo, a imprensa era a versão primitiva de uma “rede social”. Ninguém se incomodava com isso, excepto os jornalistas que se davam excessiva importância. Num regime liberal (ou democrático), a necessidade de participar era geralmente reconhecida e até certo ponto respeitada. As “redes sociais” cobrem hoje muito mais gente. Ainda bem. O mal seria um público indiferente ou apático.</em></p> <p> </p> <p>Vasco Pulido Valente no <a href="http://observador.pt/opiniao/um-destes-dias-marcelo-acaba-a-falar-sozinho/" target="_blank" rel="noopener">Observador</a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:60826 João Távora 2016-12-30T19:40:00 Como a peste? 2016-12-30T19:40:55Z 2016-12-30T19:40:55Z <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="2016-12-30 17.30.38.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bfa0253e1/20152032_ZsLaV.jpeg" alt="2016-12-30 17.30.38.jpg" width="500" height="282" /></p> <p>Emerge por estes dias um discurso catastrofista a propósito das "redes sociais", "pós verdades", "notícias falsas", "populismos" como se fossem novas pestes, o fim do mundo em cuecas. Assim se referiu a essas pragas José Pacheco Pereira que por motivos insondáveis adoptou nos últimos anos um discurso contra a realidade que teima em não o compreender. Quando certas personagens como Pacheco Pereira se insurgem contra as redes sociais e os perigos do anti-intelectualismo – todos ignorantes todos iguais, a minha leitura da realidade vale tanto como a tua - a coisa soa-me a ressabiamento e ciumeira pura.</p> <p>Hoje foi a vez de Miguel Sousa Tavares, um tipo porreiro que não consta ser um perito em coisa alguma, antes pelo contrário, tecer na sua coluna do Expresso pela enésima vez um rol de lamúrias e alertas sobre os perigos e a perversão acrescida do conluio entre os jornais e os media sociais. As pessoas com a idade se não se cuidam podem tornar-se amargas, já se sabia.</p> <p>Convém relativizar o alarmismo acicatado pelas vitórias “populistas” no seu confronto com o politicamente correcto veiculado pela imprensa tradicional em dificuldades. Afinal o populismo (veicular o que é popular) sempre existiu - vejam-se os casos extremos dos discursos do PCP e do Bloco de Esquerda ou do PS durante o resgate da Tróica –  e não é mais que o discurso fantasioso de conquista de popularidade àqueles que se quer apear e as notícias falsas simples munições de propaganda, a mais antiga profissão do mundo a seguir à outra - e Pacheco Pereira conhece-a bem. Mas se tudo isto são notícias más que perturbam os nossos tempos, a boa notícia é que elas sempre existiram sob outras capas e formas. Não nos consola nada, mas a ignorância e a imprevidência na interpretação da realidade é um problema antigo. Que o Mundo é um local perigoso e que a escolaridade não erradicou a ignorância também não é novidade. Está visto que “quando todos morrermos da peste só ficarão na Terra os próprios Sousa Tavares e Pacheco Pereira”<strong>*</strong>. Entretanto, eles que aproveitem bem o palco que têm para proferirem livremente as suas generalidades.<br /><br /></p> <p><em><strong>*</strong> Frase de João Villalobos, um perigoso propagandista no Facebook.</em></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:60663 João Távora 2016-12-23T18:14:00 Natal outra vez 2016-12-23T18:15:48Z 2016-12-23T18:15:48Z <p class="sapomedia images"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Natal_2016.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2c01f7da/20139961_YLJ2A.jpeg" alt="Natal_2016.jpg" width="500" height="333" /></p> <p>O Criador jamais descurou a comunicação do grandioso Advento. Naqueles tempos, para guiar o povo disperso e os reis do oriente para o mais improvável local de Encontro, o requinte em comunicação foi literalmente divinal: um cometa rebrilhante no céu indicou o caminho para o Presépio que mudou o rumo de toda a nossa História.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:60362 João Távora 2016-12-06T15:21:00 Uma Renascença renascida 2016-12-06T15:23:03Z 2016-12-06T17:26:35Z <p class="sapomedia images"><a class="media-link" title="lexon-001898lx_01.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/joaotavora/fotos/?uid=QLzaECsS8ztVHHGHyr9l" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="lexon-001898lx_01.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B9e01820e/20104813_nVOT3.jpeg" alt="lexon-001898lx_01.jpg" width="350" height="350" /></a></p> <p>Desde sempre um amante fascinado pelo fenómeno da rádio, em boa hora me chamou à atenção a nova dinâmica evidenciada pela Rádio Renascença que vem transformando não só a sua grelha de programação, mas a sua estratégia de comunicação: agora, o principal canal do Grupo Renascença parece finalmente interessado em alcançar um público cosmopolita que, sem preconceito contra a religião católica, procura estar a par da agenda política económica e social do país. Apresentando de forma muito dinâmica nos períodos de <em>prime-time</em> conteúdos de índole informativa, com notícias, transito, desporto, comentários e entrevistas a propósito dos temas candentes de sociedade e agenda política nacional e internacional, intercalados com apontamentos de música <em>mainstream</em> nacional e anglo-saxónica, a rádio Renascença assume por estes dias um posicionamento inédito, renovado e comercialmente afoito. Mas se essa mudança é a principal novidade desta rádio que se prepara para festejar os oitenta anos de existência, não menos interessante é de assinalar a inclusão nos radio-jornais de notícias de relevância sobre a Igreja com sintéticos comentários de especialistas, que assim, numa forma natural abrange um público muito mais alargado - e não apenas os cristãos convertidos, como antigamente sucedia, em pesados programas a eles destinados. Tudo isto parece-me tanto mais interessante quanto, em termos relativos, a rádio vem ganhando relevância no meio do modelo clássico de <em>broadcasting</em> e do jornalismo tradicional em acentuada decadência em virtude da sua inadaptação ao fenómeno da Internet e do advento dos média sociais. Não deixa de ser interessante que perante este panorama bastante adverso, a rádio apresente valores de audiência diária acima de 50% por cento da população (54,4% de "Audiência Acumulada de Véspera" segundo <a href="http://www.marktest.com/wap/private/images/news2016/1012/Bareme.pdf" target="_blank" rel="noopener">dados de Setembro último da Marktest</a> é o número ou percentagem de indivíduos que escutaram uma estação, no período de um dia, independentemente do tempo despendido). E não deixa de ser curioso que o Grupo Rádio Renascença, uma rádio católica, dispute a liderança das audiências com 35,4% de <em>share</em> com o Grupo Média Capital com 35,5%. De resto, curioso parece-nos também o confronto entre a Radio Renascença que ostenta 8,2% de share contra os 5,7% da Antena 1 e os 2.9% da TSF, estações suas concorrentes directas.</p> <p>Estes números significam uma responsabilidade acrescida que pesa sobre a Emissora Católica Portuguesa de se posicionar de forma consequente no espectro de oferta radiofónica nacional como uma verdadeira alternativa à fórmula laicista, relativista e politicamente enviesada com que a generalidade dos média de referência lêem o Mundo e a sua complexidade. Parabéns à Rádio Renascença, e que lhe não aconteça o fenómeno do árbitro que confrontado com a tarefa de arbitrar um desafio que envolva o seu clube de eleição, para calar as dúvidas sobre a sua isenção, acaba favorecendo o adversário.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:59922 João Távora 2016-05-26T21:26:00 A desmaterialização do digital e as estantes vazias 2016-05-26T20:26:57Z 2016-06-01T20:26:50Z <p class="sapomedia images"><a class="media-link" title="Estante.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/joaotavora/fotos/?uid=0Mhs0C1Sucia7oL5zzgh" rel="noopener"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Estante.jpg" src="https://fotos.web.sapo.io/i/B3b138ad7/19645088_gg7pB.jpeg" alt="Estante.jpg" width="400" height="400" /></a></p> <p>Vivemos tempos confusos por estes dias não só na política. Acho que podemos afirmar que experimentamos quase diariamente progressos tecnológicos que alteram de sobremaneira o nosso modo de vida e a percepção da realidade. A sofisticação da computação, a era digital na internet de banda larga, a desmaterialização da informação, a vertiginosa sensação de protagonismo e liberdade por via da auto-edição nas redes sociais, colocam-nos desafios e incógnitas que não deveriamos subestimar. Pela minha parte, o meu profundo apego aos processos analógicos de registo de informação, como o livro, o jornal em papel, a gravação sonora em vinil e noutros suportes físicos, não me impediu de nos últimos 30 anos acompanhar com fascínio a evolução na tecnologia que aqui nos trouxe, pelo que julgo que isso me concede alguma imparcialidade na abordagem que aqui pretendo fazer ao fenómeno da “estante vazia”. </p> <p>Se até há bem pouco tempo, a análise duma estante da casa de alguém nos daria impressões precisas sobre o seu perfil sociocultural, na linha do “diz-me o que lês, dir-te-ei quem és”, a tendência cada vez mais consolidada para a desmaterialização de bens culturais como o livro e o disco em informação digital invalidam hoje em dia essa forma de interpretação: chamemos-lhe o fenómeno das “estantes vazias” que no meu entendimento contêm outras ameaças bem menos fúteis do que essa. Se é verdade que na actualidade um pequeno dispositivo pode conter em si uma grande biblioteca com toda a sorte de obras literárias, além de intermináveis horas de registos  musicais de toda o género com razoável qualidade na reprodução, o facto é que esta forma de consumo consolidou uma relação, já de si pessoal, numa dinâmica atomizadora da nossa sociedade - as pessoas não ficaram mais livres, apenas mais sós e desorientadas nas suas escolhas.<br />Daí que as prateleiras vazias, fruto duma mudança radical no consumo destes bens (cujo valor de facto reside no conteúdo e não no suporte), signifiquem uma quebra numa antiga tradição em que essa informação era legada graças à sua forma física. Ela estava disponível e palpável nos diversos ambientes em que todos crescemos e formámos a nossa personalidade. Por sorte minha cresci e desenvolvi-me rodeado de livros, jornais e revistas, que folheava atraido pela curiosidade, tomando assim contacto com realidades improváveis; já para não falar da muito boa música, cujo manuseamento dos discos (com capas atraentes e informativas) e a sua audição mais ou menos voluntária (o gira-discos ecoava pela casa fora) me influenciou o gosto e sofisticação de ouvinte.</p> <p>Foi assim que os meus filhos cresceram, também eles rodeados de estantes cheias, discos, livros e jornais entreabertos que usufruíram nos espaços comuns da casa onde também partilhámos filmes, alguns dos quais estou certo permanecerão sempre como referência para eles. Como se reproduzirá este processo de transmissão de valores (porque é disso que se trata) nestes tempos de individualismo radical dos auscultadores e do ‘smartphone’ em que cada um constrói a sua biblioteca ou <em>playlist</em> – a lógica da ‘playlist’ no <em>streaming</em> digital é em si um tratado - num aparelho de bolso é para mim um enigma.</p> <p>É por isto que eu receio que o fenómeno das estantes vazias deixará de denunciar uma pobreza cultural para significar um retrocesso civilizacional. Ou estarei enganado?</p> <p> </p> <p>Crónica inspirada no artigo "<a href="http://www.nytimes.com/2015/12/06/fashion/our-bare-shelves-our-selves.html?mwrsm=Facebook&amp;_r=0" target="_blank" rel="noopener">Our (Bare) Shelves, Our Selves" de Teddy Wayne</a> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:59784 Hugo Salvado 2016-04-21T11:37:00 A “Internet-of-Things” no mundo de hoje 2016-04-20T22:50:34Z 2016-04-20T22:50:34Z <p>Ainda na semana passada aqui fizemos a <a title="Internet-of-Things" href="http://propaganda.blogs.sapo.pt/iot-a-internet-of-things-num-minuto-59606" rel="noopener">apresentação da <em>IoT</em></a>, a "Internet-of-Things".</p> <p>Só para que não fique a ideia de que é algo do futuro, algo que ainda está para chegar às nossas vidas, aqui fica um pequeno gráfico sobre as suas aplicações no mundo de hoje.</p> <p class="sapomedia images"><a class="media-link" title="IoT" href="http://iot-analytics.com/10-internet-of-things-applications/" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="IoT" src="https://fotos.web.sapo.io/i/Beb13485d/19479631_uvJsl.png" alt="IoT" width="450" height="276" /></a></p> <p> </p> <p>Fonte: <a title="IoT Analytics" href="http://iot-analytics.com/10-internet-of-things-applications/" target="_blank" rel="noopener">IoT Analytics</a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:59606 Hugo Salvado 2016-04-13T13:39:00 IoT, a “Internet-of-Things” (num minuto) 2016-04-13T00:48:58Z 2016-04-14T15:10:04Z <p class="ecxMsoNormal">Já todos ouvimos falar da <em>Internet-of-Things</em> (ou, em Português, “<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Internet_das_Coisas" target="_blank" rel="noopener">Internet-das-Coisas</a>”), comummente representada por <em><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Internet_of_Things" target="_blank" rel="noopener">IoT</a></em>.</p> <p class="ecxMsoNormal">Como é um tema que vai entrar de uma forma massiva na nossa vida, vamos apresenta-la num minuto. Só um minuto. Está a contar…</p> <p class="ecxMsoNormal">Ponto prévio: o que são dispositivos “<em>physical first</em>” e o que são “<em>digital first</em>”?</p> <p class="ecxMsoNormal">Os dispositivos “<em>physical first</em>” foram criados para ter um uso material e cujo objectivo principal não é, nem envolve necessariamente a comunicação digital de dados (ex.: um frigorífico, um livro, um aspirador, um carro, etc.); em oposição, os que são “<em>digital first</em>” são os que funcionam em primeira instância com recurso à comunicação digital (ex.: um computador, um <em>tablet</em>, um <em>smartphone</em>, um leitor de MP3, etc.).</p> <p class="ecxMsoNormal">Assim sendo, a <em>Internet of Things</em> é o universo de objectos físicos (dispositivos, veículos, edifícios, etc.) do tipo “<em>physical first</em>” que possuem electrónica, <em>software</em>, sensores e ligação de rede que os torna capazes de recolher e enviar dados, de modo a comunicarem e operarem em conjunto com outros dispositivos.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="IoT" src="https://fotos.web.sapo.io/i/G47098790/19447928_GHDOa.jpeg" alt="IoT" width="500" height="390" /></p> <p> </p> <p class="ecxMsoNormal">Esgotado o minuto que definimos atrás como limite, e explicitando um pouco mais, o que isto quer dizer é que um PC (<em>personal computer</em>) não faz parte da <em>IoT</em> porque é algo que foi concebido desde o primeiro dia para funcionar numa perspectiva digital, de cálculo e processamento, tornando-se “normal” que comunique e actue com recurso a redes de dados.</p> <p class="ecxMsoNormal">Por outro lado, uma persiana, ou conjunto delas, que comunicam (via Internet) com um <em>smartphone</em> e obedecem a comandos de um modo remoto, esses sim, fazem parte da <em>IoT</em>.</p> <p class="ecxMsoNormal">Outro exemplo de <em>IoT </em>(e de grande relevância na melhoria da qualidade de vida) é termos um relógio que mede o batimento cardíaco e que lança alertas por mensagem se os valores medidos estiverem fora de determinados limites; aliás, a biometria já está bastante avançada hoje em dia, neste mundo de <em>IoT</em>.</p> <p class="ecxMsoNormal">Assim, tipo “ponta de icebergue” (porque este tema é mesmo muito vasto), podemos apresentar a <a href="http://www.cisco.com/c/dam/en_us/about/ac79/docs/innov/IoE.pdf" target="_blank" rel="noopener">IoE</a>, <em>Internet-of-Everything</em>, que junta ambos os universos, o “<em>physical first</em>” e o “<em>digital first</em>” à interacção directa com as pessoas, processos e dados.</p> <p class="ecxMsoNormal">Mas, sobre isto, falaremos em detalhe no futuro. E isso demorará mais de um minuto.</p> <p class="ecxMsoNormal">Depois desta breve apresentação, fica ou não claro que esta realidade vai entrar de uma forma massiva na nossa vida?</p> <p class="ecxMsoNormal"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:59361 João Távora 2016-01-19T10:31:00 A era digital 2016-01-19T10:36:42Z 2016-01-19T10:36:42Z <p>O filósofo italiano Luciano Floridi defende que estamos a começar a Quarta Revolução a “era digital”, que "está a alterar a nossa noção sobre o que é ser humano." Das consequências, segundo ele, o pior cenário (e mais realista) é a utilização das tecnologias "para nos entretermos até à morte, distraindo-nos de todo o resto do mundo (…) distraídos do verdadeiro sentido da vida.” <strong><a href="http://observador.pt/videos/entrevista-2/luciano-floridi-entrevista-interview/" target="_blank" rel="noopener">A ouvir aqui</a> </strong></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:59031 João Távora 2015-11-08T15:03:00 Fragmentação dos "meios" 2015-11-08T15:06:40Z 2015-11-08T15:06:40Z <p><em>(...) Mas a Internet provoca a fragmentação de meios, recursos, conteúdos e públicos. Enfraquece media como os "grandes canais". Até que ponto podem conviver com outras formas de usar a TV? A meu ver, todas as sociedades precisam de centralidades, de centros mentais, como o poder político, as religiões maioritárias, os desportos maioritários. Basta imaginar o caos social se, de repente, acabassem todos os grandes canais, os grandes jornais e as grandes rádios. São precisos centros, e a TV, na forma actual, ainda disponibiliza centros principais da sociedade.</em></p> <p> </p> <p>Eduardo Cintra Torres, Correio da Manhã -  <a href="http://www.cmjornal.xl.pt/opiniao/colunistas/eduardo_cintra_torres/detalhe/televisao_e_um_novo_media.html" target="_blank" rel="noopener">Ler mais aqui</a>.<br /><br /><br /></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:58723 João Távora 2015-09-17T17:25:00 A newsletter 2015-09-17T16:27:46Z 2015-09-18T16:48:39Z <p>A “newsletter” sob duas perspectivas: a do departamento de comunicação a ver como envia o email a “toda a gente”, e a de “toda a gente” a ver como se livra de tantas "newsletteres".</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:58355 João Távora 2015-08-30T12:06:00 Esse último ponto é o nosso trabalho 2015-08-30T11:10:14Z 2015-08-30T11:11:21Z <p>Pode a Google influenciar os resultados de uma eleição? Consultada a <a href="http://www.sinapsemedia.com/" target="_blank" rel="noopener">Sinapse Media</a> pela jornalista Valentina Marcelino na elaboração <a href="http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=4751125" target="_blank" rel="noopener">deste artigo do Diário de Notícias</a>, demos o nosso parecer técnico. A Google tem uma fragilidade que é, ao mesmo tempo a sua grande virtude: oferece uma democracia em estado quase puro, o algoritmo privilegia a avaliação da experiência do visitante. A dinâmica das "respostas" dadas depende de como é feita a pesquisa e da "qualidade" dos conteúdos correspondentes. Esse último ponto é o nosso trabalho.</p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:58084 João Távora 2015-08-11T16:46:00 A comunicação é um assunto sério 2015-08-11T15:57:25Z 2015-08-12T10:40:52Z <p class="sapomedia images"><a class="media-link" title="outdoor-ps-desemprego770x433-1 (1).jpg" href="http://fotos.sapo.pt/joaotavora/fotos/?uid=HiT6VtJVQ83zjvN0Gv56" rel="noopener"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="outdoor-ps-desemprego770x433-1 (1).jpg" src="https://fotos.web.sapo.io/i/B1f06ff7e/18717326_ojol9.jpeg" alt="outdoor-ps-desemprego770x433-1 (1).jpg" width="500" height="281" /></a></p> <p>Sobre o caso dos cartazes do PS com testemunhos de desempregados, já o dissemos há dias: não passariam de um <em>faits divers</em> sem importância se as pessoas não acreditassem que nas eleições de 4 de Outubro o que está realmente em jogo é competência na gestão de uma crise que não está ainda sanada. Agora, gostaria de conjecturar sobre as causas de tanta incompetência e descuido em matéria tão sensível como a comunicação. Suspeito que a resposta seja muito simples, que tenha afinal que ver causas orçamentais e o velho erro de se subvalorizar as questões de comunicação. Confesso que como profissional, tenho a experiência de me ver obrigado a malabarismos na tentativa de adaptar um projecto a limitações financeiras impostas pelo cliente. Nunca até hoje nada de grave aconteceu porque sempre soubemos dizer “não” quando os resultados dum projecto eram demasiado ameaçados, continha demasiados riscos. Acontece que “queimar etapas” e prescindir de recursos pode resultar na perversão total dos resultados pretendidos: uma ideia tem de ser bem testada em grupos de trabalho devidamente adequados e os riscos éticos, políticos e legais na sua implementação (nada impede a utilização de figurantes voluntários) devidamente acautelados. Por exemplo, parece-me de bastante evidente que um adulto na força da idade, profissionalmente habilitado e socialmente integrado não goste de se confrontar em cartazes gigantes, assumindo cinco anos sem trabalho, e decididamente os "voluntários" não foram devidamente (por escrito) informados sobre os termos e consequências da sua colaboração. Já a questão da data e dos números referentes ao desemprego, é um erro decorrente de uma narrativa política equívoca em si mesma - o desemprego disparou em plenas funções do governo socialista e não há como fugir desse facto. O melhor mesmo é não se brincar com os números nessa matéria. </p> <p>Finalmente umas palavras sobre o “não caso” <a href="http://observador.pt/2015/08/11/ele-e-frances-socialistas-contra-atacam-nas-redes/" target="_blank" rel="noopener">dos cartazes da coligação</a>  por desforra agora denunciados por fontes socialistas nas redes sociais: ao contrário do provérbio popular, o gosto pode-se discutir, mas comparar a utilização autorizada de imagens em distribuição comercial, adquiridas legitimamente (mesmo que sem exclusividade) nos chamados “bancos de imagens” com o caso dos falsos testemunhos dramáticos na primeira pessoa por (in) voluntários da  Junta de Freguesia de Arroios, é comparar a beira da estrada com a estrada da Beira. Não, não foi mau gosto, foi uma enorme salganhada fruto de duma incompetência que marcará indelevelmente a campanha eleitoral de António Costa.</p> <p><a class="media-link" title="Banco de imagens.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/joaotavora/fotos/?uid=jBGZqHZQhp2HPWYdPpiz" rel="noopener"><img style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Banco de imagens.jpg" src="https://fotos.web.sapo.io/i/B59111f23/18717324_Zz6CU.jpeg" alt="Banco de imagens.jpg" width="425" height="500" /></a></p> <p>Imagens: <a href="http://observador.pt/2015/08/11/ele-e-frances-socialistas-contra-atacam-nas-redes/" target="_blank" rel="noopener">Observador</a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:57627 João Távora 2015-07-20T18:37:00 Vamo-nos habituando 2015-07-20T17:46:06Z 2015-07-20T17:57:42Z <p>Antes de qualquer noticiário das TVs tradicionais, o impressionante incidente entre um tubarão branco e o surfista Mick Fanning  durante o torneio de surf de Jeffrey's Bay, na África do Sul já circulava nas redes sociais pelo mundo fora através do canal Youtube da <a href="https://www.youtube.com/user/ASPWorldTour" rel="noopener">World Surf League</a>. Em pouco mais de 24 horas o vídeo atingiu já 10 036 914 visualizações. </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:propaganda:57128 João Távora 2015-06-04T11:18:00 Sporting top of mind 2015-06-04T10:19:34Z 2015-06-04T10:19:34Z <p>Desde a surpreendente contratação de Mário Jardel que o Sporting não gerava semelhante impacto mediático. A contratação de Jorge Jesus de que já se falava mas ninguém acreditava constitui uma assombrosa notícia que ecoa das bocas dos portugueses incrédulos pelas ruas, cafés e empregos no Portugal profundo ao qual nesta era híper-mediatizada já resta pouca inocência. As notícias que circulam da rede à velocidade da luz para o bolso ou secretária dos portugueses antes de chegarem aos escaparates dos quiosques são mais marcantes pelo espanto que causam do que pela substância que podem espelhar. É a civilização “Jornal do Incrível”. Nesse sentido a transferência dum lado para o outro da 2ª Circular do incontornável personagem nacional Jorge Jesus por Bruno de Carvalho é um golpe de mestre. </p> <p> </p> <p>Publicado originalmente <a href="http://sporting.blogs.sapo.pt/sporting-top-of-mind-2074338" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>. </p>